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:: 03/09/2010 | Cultura

A cura pelo mundo das artes plásticas

A cura pelo mundo das artes plásticas

Texto:

Lages, 4 e 5/09/2010, Correio Lageano


Vítima de um acidente automobilístico, a auxiliar de enfermagem Bernadete Lurdes Inácio Siqueira, está encontrando sua cura, na arte. Sim, nas artes plásticas.

 

Nas pinturas de óleo sobre tela e no espatulado. Mas não é só nisso. “Beth Siqueira”, como se assina nas obras, tem ainda, uma forte ligação com o artesanato e o biscuit. A exposição dela se encerrou nesta sexta-feira (3), no hall de entrada da Câmara de Vereadores.

 

A história de Beth Siqueira no mundo das artes plásticas iniciou em 1979. Mas o grande momento foi em 1986, quando ganhou do pai, uma tela de aniversário para pintar.

 

O motivo era um buquê de flores. Antes que a artista terminasse a pintura, o pai morreu. “Era ele quem me incentivava. Com a perda de meu pai entrei numa crise profunda e abandonei as artes. Fiquei doze anos com o quadro inacabado. Meu pai só viu o esboço da pintura”, revela Beth Siqueira.

 

Ela não iria nem acabar a obra desejo do pai. Mas um grave acidente fez a artista voltar a ver as cores das artes plásticas.

 

Em 2008, Beth Siqueira viajava de Lages para Florianópolis com o filho mais velho. Quis o destino que se envolvesse num acidente.

 

Com fratura grave de fêmur, perda óssea e lesão grave no rosto, Beth Siqueira passou vários dias na UTI e por dois anos e meio ficou dependente de cadeira de rodas. Desde fevereiro passado se apoia nas muletas.

 

Mas isso não era tudo. A auxiliar de enfermagem forte, que ajudava os enfermos nos hospitais, entrou num quadro depressivo profundo ao se deparar com a vida sobre uma cadeira de rodas.

 

“Meu filho, assim como meu pai, me incentivou e voltei a pintar”, lembra a artista. Os desafios de Beth Siqueira, ainda não estavam superados por completo. Tinha de recomeçar nas artes plásticas e foi recusada num escola em Florianópolis, por ser cadeirante.

 

“Eu já não estava muito boa e fiquei mais desanimada. Meu filho insistiu numa outra escola, no ateliê Incentiva a Arte e voltei a produzir telas”, lembra Beth Siqueira.

 

Em outubro de 2008, a lageana retomou suas primeiras aulas e até hoje continua produzindo belíssimas telas. Como as 26 peças da exposição individual que ficou no acesso principal da Câmara de Vereadores por duas semanas.

 

Os motivos são os mais diversos. Mas a preferência são as paisagens, flores, casas e algumas telas em abstrato.

 

Beth Siqueira deixou Lages, quando foi transferida do Hospital Geral e Maternidade Tereza Ramos para o Hospital Regional de São José.

 

Ela reluta para não se aposentar por invalidez. Como faltam dois anos para completar o período de idade mínima, tenta adicionar a insalubridade ao valor do futuro benefício de previdência.

 

Enquanto não consolida mais esta etapa de sua vida, Beth Siqueira produz pinturas sobre telas. E busca inspiração no imaginário.

 

“Primeiro faço alguns rabiscos. Depende do dia para a inspiração. Aos poucos as telas vão nascendo e as corres predominando”, diz.

 

O dom pelas artes plásticas, foi um presente que só Beth Siqueira recebeu, em sua família. Desde a infância era apaixonada pelas pinturas, sempre incentivada pelo pai.

 

Com artesanato em panos como pinturas, tricô, crochê e biscuit, Beth Siqueira repassou às irmãs o que aprendeu e descobriu.

 

A exposição que trouxe à Lages é a quarta. Em 1982 ela participou de duas exposições individuais e uma coletiva.

 

O que redescobriu Beth Siqueira é que é bom voltar à cidade onde nasceu. É bom rever amigos, ser estimulada e saber que, sempre que voltar será bem acolhida.

 

Foto: Onéris Lopes

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