:: 27/08/2010 | Santa Catarina
Turismo catarinense é atrasado
Serra Catarinense, 28 e 29/08/2010, Correio Lageano
O secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Valdir Walendowsky, fala sobre os investimentos do Estado em turismo, das carências do setor nas regiões, especialmente a Serra, e aponta alternativas para sanar estes problemas.
Na última semana, o secretário esteve em Lages palestrando no 1° Fórum das Instâncias de Governança do Estado de Santa Catarina, que teve como foco planejar, discutir e viabilizar meios para desenvolver o turismo estadual.
Correio Lageano: No começo do mês aconteceu o espetáculo da neve, que trouxe inúmeros turistas para a região.
São Joaquim acabou criticada por não ter estrutura para recebê-los. A infraestrutura deixou a desejar. O que o senhor acha disso?
Valdir Walendowsky: O que posso dizer é que o desenvolvimento da Serra Catarinense não acompanhou, por exemplo, o da Serra Gaúcha, que recebeu um investimento privado muito forte.
Já aqui não houve isso e não pudemos acompanhar o potencial da beleza natural da região. Mas tudo tem que ser planejado e as vezes o investidor privado espera que alguém faça algo para poder acreditar no investimento que ele vai fazer.
CL: O que se pode fazer para mudar a mentalidade dos empresários, para que invistam mais no turismo e não esperem iniciativas públicas, por exemplo?
Walendowsky: Este é um momento que reflete a organização do setor. Dialogar, trocar informações, colocar as regiões turísticas juntas, buscar um comprometimento das pessoas relacionadas com o setor a acreditarem no potencial turístico de cada região do estado.
Por outro lado, ter todas as informações necessárias para as regiões, relacionadas com a política de turismo estadual e nacional e, em função disso, cada região pode aproveitar o potencial que tem, incluindo a oportunidade de se enquadrar em um processo de evolução mais rápido, eficiente, e com diretrizes melhores, potencializando as necessidades de cada região. Isso nunca tinha sido feito em outros tempos, a gente sabe que não é fácil fazer isso, até porque exige muito investimento da área pública.
CL: Porque o turismo da Serra Gaúcha se desenvolveu mais que o da Serra Catarinense?
Walendowsky: A Serra Gaúcha recebeu primeiro investimentos da área privada e o público teve que ir atrás, o que não aconteceu aqui.
Em Santa catarina houve investimentos da área privada, mas no setor agrícola e na fruticultura, não no turismo especificamente.
Não houve investimento em equipamentos turísticos, como hotéis, pousadas, restaurantes, lojas, entretenimento, e o lazer de um modo geral.
CL: Hoje, qual é a região mais desenvolvida turisticamente no estado?
Walendowsky: No mundo todo, sol e mar têm 50% do turismo. Isso não é diferente no Brasil e em Santa Catarina, por isso aqui a região mais desenvolvida é a litorânea.
O turismo do sol e mar desenvolveu-se e isso não acontece nas outras regiões do estado. Então este movimento, de Instância de Governança e de regionalização, é exatamente para fazer com que as outras regiões comecem a ter um desenvolvimento mais acentuado. É a interiorização do turismo em SC.
CL: Quais os passos iniciais para a interiorização?
Walendowsky: As pessoas têm que se conscientizar que deve haver uma organização para que o turismo aconteça. Independente da região que for, se não trabalhar organizado, não trabalhar em conjunto com o estado, e nós (governo) em conjunto com a política nacional, e termos esta visão de conjunto, nada vai acontecer.
CL: Com relação a Serra Catarinense, a secretaria tem algum planejamento pra que ela sobreviva não só do turismo de inverno, que é o grande atrativo, mas que tenha outras saídas e continue se mantendo durante o ano inteiro?
Walendowsky: O governo está executando um projeto de planejamento. Um exemplo é o “Acorde São Joaquim”, um projeto que foi elaborado pelo Governo do Estado, justamente porque a cidade foi definida como o pólo irradiador da Serra Catarinense.
Os investimentos têm que começar por uma cidade, é assim que funciona. No Ministério do Turismo, dentro da Política de Regionalização, São Joaquim é chamada de pólo indutor nacional, que são 65 cidades do Brasil que foram eleitas como pólos indutores.
Todas as capitais são e, em Santa catarina, Florianópolis, Balneário Camboriú e São Joaquim, são pólos indutores. Isso foi definido pelo plano nacional de desenvolvimento turístico.
CL: O estado tem dado atenção especial ao desenvolvimento econômico da Serra desde 2003. Que cidade podemos citar como exemplo disto?
Walendowsky: Urubici. É só olhar os investimentos que foram feitos, pela iniciativa privada, principalmente com pousadas, e isso foi potencializado porque houve uma promoção muito grande do município, que não tem tanto nome quanto São Joaquim.
Houve investimentos da iniciativa privada em Urubici e isso tem que ser transportado para toda a Serra Catarinense, e na hora que isso acontecer de uma forma mais constante, consequentemente vamos nos elevar a um nível como o da Serra Gaúcha.
CL: Na Serra o clima é muito explorado turisticamente, mas o que mais pode ser trabalhado para desenvolver o turismo na região?
Walendowsky: A cultura, a gastronomia, a potencialização de equipamentos que consolidem cada vez mais a natureza, isso é importante, pois aqui é uma região com belezas naturais.
O viés é todo em função destes aspectos, e é dentro dele que tem que ser tocado o turismo, o potencial existe, então é dentro desta ótica que tem que ser trabalhado.
CL: Qual a melhor forma para que o turismo se desenvolva em todo o estado?
Walendowsky: Investimentos e a capacidade das regiões estarem unidas, fortalecidas para que se possam desenvolver políticas para o turismo de uma forma onde se priorize determinadas questões, que são as principais para que estes investimentos possam ser feitos de acordo com um cronograma para que o nosso estado continue a ter o desempenho que tem no cenário nacional.
CL: Santa Catarina recebe muitos turistas vindos de outros estados e até mesmo de fora do país?
Walendowsky: SC é o maior receptor do Mercosul, o aproveitamento das outras regiões, que não sejam litorâneas, é que tem que estar organizado, ter equipamentos, haver lazer e entretenimento, para que estas pessoas também possam ir a outras regiões do estado, além do litoral.
Estamos elencando prioridades em todas as regiões, para podermos trabalhar de forma horizontal, com todas elas.
CL: O que são as Instâncias de Governança?
Walendowsky: Dentro das Instâncias de Governança, é trabalhado o turismo como uma questão econômica.
Vamos priorizar o que for necessário para desenvolver a atividade turística de uma forma planejada.
Se é infraestrutura, se são obras, se é treinamento, se é capacitação, se é promoção, isso tudo no seu tempo adequado.
Foto: Lais Moser/Divulgação
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