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:: 16/06/2011 | Lages

Lages completa 53 anos sem o seu cidadão mais ilustre: Nereu Ramos

Texto:

Lages, 16/06/2011, Correio Lageano por Thomas Michel

 

 

De todos os cargos eletivos do país, Nereu Ramos só não foi prefeito nem vereador. Foi presidente, vice-presidente, ministro, senador, deputado federal e estadual e governador de Santa Catarina.

 

 

A política veio do berço. O pai de Nereu, Vidal Ramos, foi governador de Santa Catarina na década de 1910, assim como aconteceu com o irmão, Celso Ramos, o sobrinho Aderbal Ramos da Silva e o primo, Aristiliano Ramos.

 

 

Nereu foi contra os ideais da União Democrática Nacional (UDN), partido de seu pai e de seu primo, Aristiliano, e fundou o Partido Social Democrático (PSD), do qual fez parte durante toda sua carreira política.

 

 

O primeiro cargo foi o de deputado estadual, em 1910, quando tinha 21 anos. Participou da revolução de 30, ao lado de Getúlio Vargas, e foi eleito vice-presidente de Eurico Gaspar Dutra. A primeira vez que exerceu o cargo máximo do país foi em 13 de maio de 1949, quando Dutra fez uma viagem aos Estados Unidos.

 

 

A segunda vez que assumiu a presidência foi em meio à grande reviravolta política depois do suicídio de Getúlio Vargas. O jornalista Névio Fernandes explica que houve uma tentativa de golpe. “Os militares tiraram Carlos Luz, que só ficou três dias no poder, empossando Nereu Ramos”.

 


Nereu foi ‘escolhido’ devido ao seu perfil moderado

 

 

Em meio à crise política, quem coordenou a transição de poder para o próximo presidente foi o general Lott e o marechal Luiz Gallotti, que na foto da assinatura de posse aparece olhando o lageano por cima dos ombros.

 

 

A presidência durou 81 dias, onde seu ato mais conhecido foi o estado de sítio no país, decretado devido à instabilidade política daquelas épocas. Dia 31 de janeiro, Nereu passou a faixa presidencial para Juscelino Kubitschek, que havia sido eleito democraticamente nas eleições de 1955.

 

 

Nereu foi eleito senador e nomeado ministro da Justiça, cargo que exerceu até 1957. Um dia antes de sua morte, houve uma convenção do seu partido para escolher o candidato ao governo estadual. O deputado federal Leoberto Leal era cotado para a vaga e morreu no acidente, juntamente com o governador Jorge Lacerda e Nereu, que, reza a lenda, almejava a presidência.

 

 

Foram 81 dias à frente da presidência do país

 

 

Na época em que o Correio Lageano era bissemanal, na edição de 12 de novembro de 1955, um dia depois da posse de Nereu, a manchete fala apenas em ‘assumir o cargo’. Na outra edição, quatro dias depois, na capa está “firma-se o novo govêrno (sic)”. A instabilidade política era tão forte que se esperava por um golpe à época.

 

 

Névio Fernandes explica que houve “um pequeno golpe”, que foi bem recebido pelo povo. Todo o exercício do governo foi sob estado de sítio, devido à ameaça à democracia. Nereu foi a penúltima pessoa a exercer a presidência no Palácio do Catete, visto que Juscelino Kubitschek terminaria Brasília ao fim de seu mandato.

 

 

Nereu foi o único presidente catarinense, apesar de o marechal florianopolitano Márcio de Sousa Melo ter participado da junta militar que comandou o país durante 60 dias em 1969. Na junta estava presente também o general Aurélio de Lira Tavares e o almirante Augusto Rademaker.

 

 

Nereu foi o:


20º presidente do Brasil


13º vice-presidente


13º governador de Santa Catarina


35º presidente do Senado Federal

 

Nereu visitava sua terra natal para “revigorar as energias”

 

Uma das maiores curiosidades da vida de Nereu Ramos é que ele jamais usava carros oficiais. Na foto acima, em uma de suas visitas à Lages, ele emprestava o carro de amigos para desfilar. Névio Fernandes explica que, quando Nereu vinha à sua terra natal, a população o recebia no fim da rua Correia Pinto (onde hoje é a praça da bandeira), e havia muita festa. “O lageanos tinham muito orgulho dele”, diz.

 

 

A última visita oficial de Nereu Ramos foi em 1957 para a inauguração de sua estátua, na praça João Costa. Névio Fernandes foi o jornalista que fez a matéria na época e explica que entre os serviços prestados à cidade mais relevantes estão a maternidade Thereza Ramos, a escola agrícola (onde hoje fica o CAV) e o Fórum, que hoje recebe o nome do ex-presidente.

 

 

Nereu foi quem assinou a constituição 1946, na função de presidente do Senado, cargo que ocupou até 1951. O lageano também foi jornalista e fundou o periódico “A noite”, na capital catarinense. Era poliglota, e em sua coleção de livros há edições em francês, português e espanhol.

 

 

Exerceu a advocacia em Lages por pouco tempo, somente no tempo entre sua formatura, em 1909 e a eleição para deputado estadual, em 1910. Nereu teve quatro filhos: Nereu Filho, que reside em Florianópolis, Olga e Rubens, moradores do Rio de Janeiro e Murilo, já falecido.

 

 

História política da família Ramos

 

 

A morte de Nereu Ramos foi o início do fim da hegemonia política de sua família no estado. Segundo Névio Fernandes, “ainda havia alguma esperança depositada em Celso Ramos, que foi eleito governador em 1961”.

 

 

O irmão de Nereu, Vidal Ramos, morreu em acidente automobilístico também no ano de 1961, quando exercia a prefeitura de Lages. Celso Ramos foi o quarto membro e último da família a exercer o governo estadual. Já na prefeitura de Lages, foram seis, sendo que o coronel Belizário Ramos foi o que mais tempo ficou à frente da cidade, com 20 anos de mandato.

 

 

O último membro da família a exercer um cargo no executivo foi o ex-prefeito Áureo Vidal Ramos, que terminou seu mandato em 1973. Já o primeiro Ramos a exercer a prefeitura foi Vidal José de Oliveira Ramos Júnior, em 1895. São 78 anos de política. Os Ramos são uma das famílias mais forte politicamente na história do Brasil, tendo membros em todos os cargos eletivos.

 

 

A última visita a Lages foi como ministro

 

 

Em 4 de setembro de 1957, Nereu chegou em Lages para a inauguração da estátua em sua homenagem. A obra foi feita por outro lageano ilustre, o artista plástico, Agostinho Malinverni Filho e se encontra até hoje preservada na praça João Costa.

 

 

A estátua foi inaugurada pelo irmão de Nereu, Vidal Ramos Júnior, que foi prefeito de Lages até 1961, quando faleceu em um acidente de carro. A inauguração do monumento foi feita um dia depois do aniversário de “Doutor Nereu”, como se refere à matéria feita pelo Correio Lageano sobre este dia.

 

 

Nereu Ramos veio à Lages nesta última visita na condição de Ministro da Justiça. A matéria feita no dia da inauguração relata as festividades na cidade. Houve missa, homenagem na Câmara de Vereadores e vários discursos de pessoas ilustres. Depois desta homenagem, Lages só voltou a fazer outro monumento ao ex-presidente em 1992, quando trouxe os restos mortais de Nereu para a inauguração do Memorial.

 

 

Memorial Nereu Ramos - Foi inaugurado em 1992 e possui em seu acervo documentos originais, fotografias, livros, medalhas e os restos mortais do ex-presidente. A inauguração, feita pelo atual governador, contou com a presença de Jorge Bornhausen, pertencente à família historicamente rival dos Ramos.

 

 

Entre 1958 e 1992, os restos mortais de Nereu Ramos ficaram no Rio de Janeiro, última residência dele, e onde mora parte de sua família.

 


Fotos: Reprodução/Thomas Michel

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