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:: 05/09/2010 | Saúde

Dependência de bebida alcoólica não poderá mais dar justa causa

Lages, 06/09/2010, Correio Lageano

 


O preconceito contra funcionários que são dependentes de álcool deve acabar, se o projeto do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que proíbe a demissão por justa causa para casos de alcoolismo no emprego, for aprovado pela Câmara dos Deputados Federais.

 


Mas para que o colaborador que não consegue ter controle sobre o consumo de bebidas alcoólicas não seja demitido, ele precisa aceitar ajuda para o tratamento da doença. O Tribunal considera que as pessoas viciadas em álcool são doentes crônicos e, concordando com isso, o Senado aprovou o projeto que ainda precisa ser discutido e votado na câmara.

 


“O alcoolismo é uma doença, um transtorno mental e os direitos dos trabalhadores são muito violados e este projeto é ótimo no sentido de valorização do ser humano”, considera a coordenadora do Caps-AD, Vanessa Freitas, um centro de atenção psicossocial que trata dependentes de álcool e outras drogas em Lages.

 


O local atende hoje cerca de 240 pessoas viciadas em algum tipo de droga. A metade delas é viciada em álcool, e existem ainda os que consomem mais de um tipo de substâncias entorpecentes. A maioria dos casos de alcoolismo, segundo Vanessa, se deve ao fato do álcool ser uma droga lícita, de fácil acesso e socialmente aceita.

 


Mas o número de dependentes vai muito além dos que procuram ajuda no local. A coordenadora destaca que é extremamente difícil as pessoas reconhecerem que estão doentes, e depois disso é preciso haver um trabalho de conscientização de que precisam de ajuda para conseguirem abandonar o vício e revela que, na maioria das vezes, a procura por ajuda só acontece quando o dependente já perdeu o emprego. “Este é o nosso papel pois a recuperação é um processo lento e delicado, é preciso preparar o psicológico do usuário e contar com a ajuda da família, sem isso não há tratamento que dê certo”, explica.

 


Mas antes mesmo da aprovação da determinação do Ministério do Trabalho, Vanessa sugere que as políticas internas das empresas dêem mais atenção ao funcionário que bebe, dando a ele mais orientação e o ajude quando necessário. “Um funcionário que percebe que a empresa está interessada e se importa com sua saúde se entrega para o trabalho, se sente valorizado e eleva a produção”, salienta, mas deixa claro que se tratam de condições, sendo que não dá para obrigar um funcionário a se tratar.

 

Alcoólatras e alcoolistas

 

 

O alcoolismo é doença crônica, psíquica, somática ou psicossomática, que se manifesta como um distúrbio da conduta perfeitamente tratável. Caracteriza-se pela ingestão repetida de bebidas alcoólicas, em quantidade que excede o uso dietético habitual ou infringe os costumes da comunidade, prejudicando a saúde do bebedor ou suas atividades sociais ou econômicas. Existem muitas categorias especiais de dependentes em álcool, inclusive os “alcoólatras”, que não podem controlar a ingestão de bebidas, e os “alcoolistas com complicações”. Estes últimos são aqueles cuja embriaguez excessiva provoca o aparecimento de manifestas seqüelas físicas.

 

Foto: Deise Ribeiro

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