:: 03/09/2010 | Economia
Temporários aquecem vendas no comércio
Lages, 4 e 5/09/2010, Correio Lageano
A presença dos contratados para entregar panfletos e “santinhos”, carregar bandeiras e pedir votos aos candidatos das eleições 2010, mudam o cenário das cidades.
Eles invadem as ruas, tomam as calçadas e estão em quase todos os cruzamentos. Mas, a mudança na rotina não é apenas visual, estes empregos, embora temporários, representam incremento nas vendas do comércio.
Cada um destes trabalhadores temporários recebem, em média, um salário mínimo por mês de trabalho (R$ 510).
Embora o tempo de serviço seja de dois, no máximo três meses, o dinheiro irá representar um incremento de 4%, nas vendas do comércio varejista de Lages, em relação ao mesmo período do ano passado.
Se somadas, as vendas que se aquecem com a chegada dos dias mais quentes, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) acredita que o aumento chegue a 7%.
“Esta não é a forma mais positiva de se aumentar as vendas, o ideal seria que estes trabalhadores estivessem em empregos formais com carteiras assinadas”, comenta a presidente da CDL de Lages, Elisabeth Neves.
A média de contratações por candidato a deputado estadual e federal, de acordo com informações dos diretórios locais é de 40 pessoas. O número de envolvidos é maior, porém, de acordo com os coordenadores de campanha, se tratam de voluntários.
Este incremento nas vendas deve tirar um pouco os prejuízos do inverno, que segundo a presidente da CDL, foi muito fraco em vendas. “Estes empregos conseguem fazer com que gire mais dinheiro nas lojas”, comenta.
Apesar do aumento nas vendas, a modalidade de pagamento preferida dos lageanos continua sendo o crediário.
Época de trocar a casa pelas ruas
A dona de casa Maria Gorete Lima Bett, 53, está entre as centenas de pessoas que conseguem um trabalho em época de campanhas eleitorais.
E já executa o serviço há mais de 20 anos. Começou em 1988, quando o deputado federal Fernando Coruja concorreu para vereador de Lages.
De lá para cá, não deixou mais de trabalhar nas campanhas e garante que não é só por causa do incremento no orçamento familiar.
“Isto já está no sangue”, exclama, contando que está sempre esperando os períodos eleitorais para entrar em ação novamente.
Nesse período a rotina da dona de casa muda. Fica mais agitada e muito mais animada. Gorete conta que ao levantar reza e agradece a Deus e depois pede para que ele a ajude em mais um dia de trabalho.
Depois de arrumar a casa e fazer o almoço, na parte da tarde ela se une a outras dezenas de cabos eleitorais e vai para os bairros.
“A gente entrega os santinhos e outros materiais e conversa com as pessoas. É conversando que, muitas vezes, a gente faz as pessoas mudarem de ideia”, explicou.
Além dela, o marido e o filho também fazem parte das equipes que trabalham nas ruas. “A gente trabalha por amor à camisa. Mas não é só isso. Essa é uma maneira de a gente ajudar a mudar as condições da nossa cidade. Tentar eleger nossos candidatos ao invés dos candidatos que vêm de outras regiões para pedir votos”, comenta Gorete.
Foto trabalhadores: Deise Ribeiro
Foto Maria Gorete Lima Bett: Divulgação
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