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:: 03/09/2010 | Economia

Falta associativismo aos empresários

Lages, 4 e 5/09/2010, Correio Lageano

 

Neste sábado (4), a Associação das Micro e Pequenas Empresas de Lages (Ampe) promove uma mateada no calçadão da Praça João Costa, reunindo empresários para comemorar um ano da criação da Lei Municipal do Dia da Micro e Pequena Empresa.

 

A data oficial é 5 de setembro, dia em que a Ampe completa 13 anos de atuação. Atualmente a entidade é presidida pelo empresário de comunicação Rainwald Müller e conta com aproximadamente 200 associados ativos, um número baixo, se levar em consideração que somente em Lages, existem aproximada 30 mil micro e pequenas empresas, formais e informais. A estimativa é de que para cada empresa formal, existam duas informais.

 


Correio Lageano: Qual a principal dificuldade enfrentada pelos micro e pequenos empreendedores de Lages?

Rainwald Müller: As maiores dificuldades não são apenas de Lages, mas se referem a todo o Brasil. O primeiro ponto é a carga tributária que é muito alta.

 

Trabalhamos quatro meses por ano para pagar tributos, isto é fato. Para o pequeno empresário, que já tem uma competitividade muito grande com as empresas maiores, faz com que o produto acabe tendo um valor muito pequeno no mercado.

 

Pagamos aproximadamente 35% de impostos no Brasil, e isso é uma das grandes causas da mortalidade de empresas.

 

Outro fator importante diz respeito à administração do empresário, pois falta treinamento para que ele não caia em algumas armadilhas.

 

Por exemplo, um bom mecânico abre sua empresa, mas isso não significa que ele seja um bom administrador, ele sabe fazer seu trabalho, mas falta tato administrativo isso acaba matando a empresa.

 

CL: Qual o tempo de sobrevivência das micro e pequenas empresas que não têm boa administração?

Müller: O Sebrae diz que em menos de um ano, 50% das empresas abertas morrem. Há muito treinamento que pode ser procurado em uma ano, que é o período em que eles não declaram imposto de renda, e conseguem ficar na informalidade por este tempo.

 

A partir de um ano o empresário começa a ver que tem um monte de coisas para pagar e acaba fechando a empresa ou não pagando os tributos que realmente tem que pagar.

 

O apelo da Ampe é que estes empresários que estão na informalidade, procurem associações para que consigam investir ou aplicar melhor seus rendimentos, para que ao chegar no final de um ano, não tenham um susto, porque neste ponto realmente é irreversível.

 

CL: As micro e pequenas empresas em todo o país, de uma forma geral, sofrem os mesmos problemas. Lages, por ser uma cidade relativamente pequena, tem algum problema em especial ou está atrasado em algum segmento?

Müller: O que vem acontecendo, principalmente na nossa região, é a falta de associativismo. Isso é fato, especialmente no Planalto e na Serra.

 

Em dois anos à frente da Ampe, eu percebo que as coisas estão mudando, a passos lentos, mas estão mudando.

 

A falta de associativismo é um problema muito grande. Se o empresário não tem visão empreendedora de cooperativismo e associativismo, ele não busca isso.

 

Este é um problema cultural, que vem de berço. As pessoas não saem de casa para ir a uma reunião escutar outros empresários, se não estiver motivado para isso, se não quiser o bem da própria empresa.

 

Nas nossas reuniões, o empresário conhece novas empresas e também concorrentes, pois a concorrência é boa, Nessas reuniões é que a gente descobre a parte positiva da concorrência.

 

CL: O que é a substituição tributária?

Müller: A substituição tributária existe há cerca de 10 anos e veio de cima para baixo, ou seja, começou com as empresas que têm faturamento alto.

 

Hoje a substituição tributária atinge as micro e pequenas empresas. Ela é aplicada apenas em alguns estados do Brasil, nem todos fazem parte.

 

Existe o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que decide quais estados farão parte da substituição tributária,que nada mais é do que fazer com que o imposto do produto seja pago logo no início.

 

Ou seja, recolher o imposto logo no início da comercialização. Existem várias modalidades de repasse, de uma empresa para outra, para ver quem vai pagar e isso gera muito desconforto e polêmicas.

 

CL: Como a substituição tributária beneficia as micro e pequenas empresas?

Müller: Nós tínhamos uma Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e, com a substituição tributária, esta Lei caía por terra.

 

Batalhamos e conseguimos uma Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que nos beneficiava com impostos reduzidos, mas com a substituição tributária, este imposto voltou a aumentar. Através da Fampesc (Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina), fizemos uma carta de reivindicação ao governo, e conseguimos fazer com que a substituição tributária, ficasse com a alíquota da MVA (Margem de Valor Agregado), ou seja, no mesmo valor que a Lei Geral regulava, e conseguimos manter o mesmo imposto que era pago anteriormente.

 

Coisa que outros estados, que já aplicaram a substituição tributária, não conseguiram. SC está de parabéns, porque as Ampes sensibilizaram o governo a manter o valor.

 

Claro que acabamos tendo problemas, porque ele (governo) arrecada menos, mas estes problemas que o governo vai ajustar lá na frente.

 

CL: Quantas empresas são beneficiadas com a substituição tributária?

Müller: Todas as micro e pequenas empresas que trabalham com venda de produtos, não as prestadoras de serviços, que não entram na substituição tributária porque não comercializa produtos.

 

Todas as empresas de micro e pequeno porte que vendem produtos, se enquadram nesta adequação.

 

Os empresários devem procurar seus contadores, que estão bem informados sobre o tema e sabem como fazer o cálculo para que o empresário não pague impostos de mais ou de menos, o que é um problema, porque a fiscalização está aí, a Receita também e eles estão sempre fiscalizando.

 

Foto: Núbia Garcia

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