:: 02/09/2010 | Polícia
Sentença de Gustavo pode ser divulgada nesta sexta-feira (3)
Lages, 3/09/2010, Correio Lageano
Dividida em duas partes, uma pela manhã e outra a partir das 17 horas desta quinta-feira (2), a audiência de instrução que ouviu testemunhas de defesa e acusação e o próprio réu, Gustavo Henrique Waltrick, 20, que confessou ter matado a golpes de faca a mãe e a irmã de 11 anos, em abril de 2010, não teve a sentença definida no mesmo dia por causa do adiantado da hora, pois às 21h o juiz da 1ª Vara Criminal, Geraldo Bastos, encerrou os trabalhos.
O magistrado tem o prazo legal de até três dias para proferir sua sentença, mas acredita que ainda nesta sexta-feira (3), até o final da tarde, pode definir e divulgar sua decisão.
"O processo foi instruído, foram feitas as alegações finais, tenho muitas audiências nesta sexta, mas talvez possa proferir a sentença também", acrescentou o juiz.
Na audiência foram ouvidas sete testemunhas de acusação, entre policiais, vizinhos, o padrasto de Gustavo, Ademir Anzolin.
Para a defesa foram três testemunhas, entre elas o médico psiquiatra, Vicente Gane, que atendeu o acusado dois dias antes do jovem ter cometido os assassinatos. O último a prestar depoimento, ao juiz Geraldo Bastos, foi o réu.
Após ouvir os envolvidos o juiz decide pela absolvição e encaminhamento a um manicômio ou pelo pronunciamento, ou seja, o réu vai a júri popular para responder por homicídio triplamente qualificado.
Entre os depoimentos mais contundentes se destacaram o do padrasto do réu (acusação) que conviveu com Gustavo desde que o enteado tinha quatro anos e o do psiquiatra que o atendeu antes do crime (defesa).
Anzolin relatou que o enteado foi uma criança e um adolescente aparentemente normal e sempre fora superprotegido pela mãe, especialmente quando cometia alguma travessura, como jogar ovos nas janelas das casas vizinhas.
O padrasto afirmou que as decisões a respeito do réu sempre foram tomadas pela mãe, sendo que ele não participava, e muitas vezes, nem era comunicado a respeito de alguns problemas provocados por Gustavo.
Apesar de haver desavenças e discussões entre mãe e filho, as quais ele considerava normal, o padrasto revelou que as agressões nunca passaram de verbais.
Ele também confirmou que nos últimos meses, o acusado estava consumindo maconha e que depois de indicação médica chegou a tomar medicamentos controlados, mas deixou claro que o comportamento dele e sua convivência familiar sempre foi totalmente normal.
O depoimento das testemunhas de acusação apontaram para uma conduta normal de Gustavo, desqualificando o laudo pericial que o apontou como portador de doença mental e o considerou num primeiro momento inimputável, fator que o livraria de responder processo criminal.
Já a defesa, alegou que ele poderia estar passando por um surto psicótico, no momento em que cometeu o crime.
O estado clínico do réu, de acordo com o testemunho do psiquiatra, teria sido diagnosticado na consulta realizada dois dias antes do crime e provocada pelo consumo de maconha.
Gane relatou que o acusado foi levado à consulta pelo pai biológico e pela mãe, contra a sua vontade, e que ao constatar o estado de Gustavo prescreveu medicamentos e recomendou a internação do jovem, o que teria gerado resistência por parte de Beatriz.
ENTENDA O CASO: Gustavo confessou ter fumado maconha, discutido com a mãe, Beatriz Terezinha de Liz Anzolin e depois tê-la esfaqueado, com diversos golpes de faca, enquanto fazia isso, a irmã, Ana Júlia Anzolin, de 11 anos, portadora da Síndrome de Down, teria tentado defendê-la e também foi esfaqueada e morta. O crime aconteceu no Edifício Flamboyant, no Centro, em um dos quartos do apartamento da família.
Após assassinar as duas, ele pegou alguns pertences e tentou fugir, mas bateu o carro na BR-116.
Chamou a polícia e alegou ter sido vítima de sequestro e supôs que o sequestrador havia matado as duas.
Na central de polícia contou que havia matado as duas. Ele foi preso, mas um laudo psiquiátrico conseguiu que ele fosse para o hospital de custódia.
Foto: Deise Ribeiro
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