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:: 02/09/2010 | Serra Catarinense

Baixa do nível não ameaça peixes

Lages, 2/09/2010, Correio Lageano

 

A escassez de chuva das últimas semanas fez baixar o nível dos rios. De certa forma interfere na vida dos peixes, mas não chega ser ponto crítico.

 

As espécies nativas estão bem adaptadas às condições e até agora não sofreram nenhuma ameaça por conta da falta de chuvas.

 

O esclarecimento é do gerente regional da Epagri, Nelson Beretta, se referindo à baixa do nível no lago da represa do Salto Caveiras e abaixo da represa, onde a água corre lentamente entre as pedras. A ameaça poderia haver, se ocorresse uma estagnação total de circulação de água.

 

Um dos maiores especialistas em piscicultura em Santa Catarina, Beretta estuda os peixes de água doce, desde a década de 60.

 

Ele explica que a falta de água pode comprometer a sobrevivência dos peixes. Mas não houve este ano, nenhum impacto com danos comprometedores.

 

Uma das causas da baixa do nível dos rios é a evaporação. “Neste processo natural, mesmo em água corrente ou em viveiros, a evaporação é de 3% pela insolação. Quando há mais calor a evaporação aumenta. Eu diria que a situação até agora é de absoluto controle”, afirma.

 

A escassez de água poderia levar os peixes à morte por falta de oxigênio. O calor contribui para reduzir a oxigenação da água.

 

Quanto maior o calor e mais parada for a água, menor o teor de oxigênio. Espécies salmonídeas, como a truta, por exemplo, exigem nove miligramas de oxigênio por litros de água, numa temperatura de até 20 graus.

 

“Acima de 22 graus de temperatura, a água possui cinco miligramas de teor de oxigênio. Com 24 graus de temperatura, a água apresenta quatro miligramas de oxigênio por litro, e neste caso as trutas estarão todas mortas, porque ela não sobrevive com menos de cinco miligramas de oxigênio livre nas moléculas de água”, explica Beretta, lembrando que, para cada peixe morto na superfície nesta situação, existem 14 peixes mortos no fundo.

 

A diminuição de vazão de água abaixo da represa não se constitui, por enquanto, em ameaça aos peixes.

 

Até porque há um grande número de afluentes e após a usina, a água corre normalmente e a via aquática dos rios, segue seu leito sem ameaças.


Fotos: Onéris Lopes

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  • Nelson Beretta

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