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:: 30/08/2010 | Saúde

Antibióticos será vendido só com receita

Lages, 31/08/2010, Correio Lageano

 

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dão conta de que 40% dos medicamentos consumidos em todo o Brasil são antibióticos e que a automedicação ainda é uma prática muito comum.

 

Para diminuir esta estatística e a venda de medicamentos sem prescrição médica, será publicada até o final do ano, de acordo com a Anvisa, uma resolução obrigando a apresentação de receituário médico e o recolhimento, por parte dos estabelecimentos, de dados do receituário. Os estabelecimentos terão até 30 dias para se adequar totalmente, a partir da publicação.

 

Os estabelecimentos deverão registrar dados relativos a cada venda, como a quantidade de medicamento fornecido e o nome do médico que fez a indicação.

 

Para a Anvisa, a medida pretende frear o exagero de prescrições e a venda indiscriminada de antibióticos.

 

Antigripais, analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos como amoxilina e azitromicina são os medicamentos que mais comumente são comprados sem a apresentação de receituário médico.

 

O novo sistema proposto pela Anvisa, é semelhante a outro já existente que regulamenta a venda de psicotrópicos.

 

Por telefone, o assessor técnico do Conselho Regional de Farmácias em Florianópolis, Ronald Ferreira dos Santos, informou que o principal motivo da medida é evitar a utilização de medicamentos por autocuidado.

 

Para ele, a medida é uma forma de aumentar a responsabilidade das farmácias no processo de utilização dos medicamentos.

 

“Hoje, grande parte das farmácias participa de um sistema de gerenciamento de medicamentos controlados, no qual informam semanalmente para a Anvisa a comercialização deste tipo de remédios, e é isso que vai acontecer com a venda de antibióticos, resultando num maior controle da comercialização e utilização deste gênero e posteriormente, se necessário, a tomada de medidas que racionalizem o uso abusivo destes medicamentos”, explica.

 

O farmacêutico Everton Luis da Silva, explica que a utilização de medicamentos sem a devida prescrição e acompanhamento, além de não ser sinônimo de cura para qualquer mal, pode trazer agravantes para a saúde do usuário.

 

“O que acontece em muitos casos, é que o antibiótico tomado não serve para o problema que o paciente tem, e o uso indevido causa a resistência bacteriana. Quando o paciente vai fazer o tratamento correto, ele acaba tendo que usar o medicamento por um período de tempo mais longo e com doses mais potentes, o que vai sair mais caro”, informa.

 

Everton ainda destaca que a ingestão de medicamentos errados, pode mascarar doenças mais graves.

 

Segundo ele, é comum pacientes que compram remédios para a tosse, pensando se tratar de uma simples gripe, quando na verdade podem estar com problemas mais graves, como o início de uma pneumonia.

 

Vale ressaltar que todos os medicamentos, sem exceção, trazem efeitos colaterais para seus usuários, e a situação se torna ainda mais grave na ingestão de medicamentos incorretos.

 

“Um bom exemplo é a aspirina, que é um dos analgésicos mais consumidos em todo o mundo. O uso indiscriminado pode agravar casos como o da dengue, que tem sintomas parecidos com o de uma gripe comum”, completa.

 

Everton atua no ramo há dez anos e garante que neste período, mesmo com as campanhas de conscientização, não houve uma diminuição considerável na automedicação.

 

“O que tem acontecido é que as pessoas estão mais conscientes da necessidade do receituário e dos perigos, mas não significa que diminuiu a prática”, afirma.

 

 

População carente não aprova nova medida

 

Everton destaca que a conscientização é crescente, entretanto, nem todos gostaram da nova medida.

 

A auxiliar de serviços gerais, Andreia Francielle da Silva, 29 anos, conta que não achou o novo sistema vantajoso. Moradora do bairro Passo Fundo, em Lages, ela conta que as consultas no Posto de Saúde levam até duas semanas para serem realizadas e isso prejudica o tratamento até para o mais simples dos problemas.

 

“Quando é urgente, as pessoas deviam ser atendidas mais rápido para comprar o medicamento o mais rápido possível e evitar que elas piorem”, desabafa.

 

A filha de Andreia, que tem 3 anos, apresentou dores de garganta e a mãe garante que marcou consulta com um médico no posto de Saúde há 15 dias, mas só conseguiu agendamento para o dia 2 de setembro. A menina teve febre e piorou, e foi levada pela mãe a emergência do Hospital Infantil Seara do Bem.

 

“Lá ela foi medicada e melhorou da febre, mas teve feridas na sua boca e para solucionar o problema, só esperando a consulta no postinho, que levou muitos dias para ser agendada”, revela a mãe, que se mostrou muito preocupada com a demora no atendimento, que pode agravar a situação da filha.


Fotos: Núbia Garcia

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  • Andreia não gostou da nova medida, já que a consulta em seu bairro leva até duas semanas para acontecer

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