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:: 13/09/2013 | Educação

Em oito aulas, analfabetos leem e escrevem com método ousado

Em oito aulas, analfabetos leem e escrevem com método ousado

Texto:

Lages, 14 e 15/09/2013, Correio Lageano, por Susana küster

 

 


O sonho de 16,5 milhões de analfabetos do país pode virar realidade com o método de alfabetização de Rita de Cássia Alves Julio. Depois de verificar, no seu consultório psicológico, que os analfabetos tinham baixa autoestima, ela criou um método que alfabetiza em até oito aulas.

 

 


O método pode ser chamado de “Aprender Brincando”. São utilizadas apostilas físicas e informatizadas, o conteúdo é sempre igual, independentemente da idade. Ela aceita casos de pessoas com um leve transtorno neurológico, tanto que ensinou um menino de 11 anos, chamado Iriel José Medeiros que possui síndrome de Down, e também aceitou um caso de Asperger (semelhante ao autismo).

 

 


Nestes casos, a aprendizagem demora mais, porém se consegue avanços que até então eram inalcançáveis. A psicóloga trabalhou por 15 anos na prefeitura de Correia Pinto e quando sua irmã, Rosana, soube do método a incentivou a materializar a metodologia.
Com a ajuda do irmão, Edelson, ela saiu da escola e ficou por dois anos transformando suas ideias em um método.

 

 


Desde então tenta vender  o procedimento para o governo para que sua técnica chegue nas escolas e alfabetize pessoas em todo país. Não conseguiu patentear sua metodologia, pois no Brasil não tem como patentear ideias, somente objetos. “Tenho que guardar isso a sete chaves até vender. Por isso não explico o método”, diz.

 

 

 

Alfabetização

 

  • A psicóloga considera a pessoa alfabetizada quando:
  •  Reconhece todas as letras e sílabas do alfabeto
  •  Lê, escreve e interpreta pequenas frases e palavras soltas.

 

 

Desafio

 

Famoso por ser o primeiro escritor analfabeto do Brasil, Manuel Batata, 79 anos, foi alfabetizado por Rita. Ele ditou um livro para sua neta e registrou as memórias de sua vida e de Campina Grande, na Paraíba, cidade onde mora. Ele pode ler seu livro e pretende escrever outros.

 

 

Garoto com Down supera seus limites e lê palavras

 

 

Na quinta série, Iriel José Medeiros, 11 anos, não sabia ler e escrever. Com a ajuda de Rita de Cassia Alves Julio, ele conhece as letras do alfabeto e consegue ler sílabas e palavras. Além de conseguir interpretá-las. Rita não conseguiu alfabetizá-lo em oito aulas, por ter síndrome de Down, o processo de aprendizagem é mais lento.

 

 

 

Porém, Iriel surpreendeu os pais e Rita, pois aprendeu  até a ligar e mexer no computador. Ele coloca uma palavra na busca do Google Imagens para conferir se acertou a escrita. “Adoro ler”, diz ele, envergonhado, mas ao mesmo tempo motivado com o computador em sua frente, digitando várias palavras.

 

 

 

Sonho vira realidade depois de oito aulas

 

 

Com 64 anos, Lídio de Jesus, mais conhecido como Baiano, não esperava que um dia pudesse ler e escrever. Apesar de nunca ter perdido as esperanças, como nunca frequentou a escola, pois trabalhava no sítio com os pais, ele tinha guardado o sonho em uma gaveta.

 

 

 

Ele ficava perdido quando queria pegar ônibus. “Era como se eu fosse cego, o ônibus passava perto de mim e não sabia se era o que eu tinha que pegar”, lembra. Baiano às vezes preferia ir a pé para casa e caminhar até 1 hora e meia, porque tinha vergonha de perguntar para as pessoas o que estava escrito nos ônibus e lugares por onde andava.

 

 


Depois de fazer oito aulas com a psicóloga Rita de Cassia Alves, fazer palavras cruzadas virou seu hobby. “Me sinto muito bem, eu realmente achava que isso iria acontecer um dia”, comemora. Além de se tornar independente, ele afirma que sua autoestima melhorou bastante. “Nunca mais precisei pedir para ninguém ler as coisas para mim”, diz orgulhoso, pelo seu avanço intelectual.

 

 

 

Verificação:  Rita Alves enviou um projeto para a Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), que será parceira do método. Rita quer que a universidade encontre analfabetos e documentem as aulas para que ela possa provar a eficácia do seu método para o MEC.

 

 

 

Fotos: Susana Küster

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      Iriel lê jornal com os pais e se alegra quando consegue ler um título
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