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:: 23/08/2012 | Economia

Agrotóxicos representam riscos à saúde

Agrotóxicos representam riscos à saúde

Texto:

Lages, 24/08/2012, Correio Lageano, por Silviane Mannrich

 

 


As pessoas compram pelo que veem, e se tratando de alimentos como frutas, verduras e legumes, a tendência é que os consumidores escolham os produtos pela aparência. Porém, nem sempre os mais bonitos são os mais saudáveis. A origem do produto, na maioria das vezes, não está visível e por trás de um belo alimento, pode estar escondida uma série de venenos.

 

 


Atualmente, no Brasil, o uso de agrotóxicos vem crescendo assustadoramente. A Epagri de Lages não possui um levantamento local. Entretanto, o pesquisador da Epagri e Phd em ecologia da produção e conservação de recursos naturais, Pedro Boff, informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) constatou que são utilizados 12 quilogramas de agrotóxicos por hectare/ano nas propriedades. Já nas culturas como maçã, arroz e tomate esse número passa de 40 quilogramas por hectare ao ano, um número considerado alarmante.

 

 


Cada habitante é exposto a seis quilogramas de agrotóxico ao ano, seja através do alimento, da água, ou quando passa pelas estradas que têm plantações perto. A exposição pode ser indireta ou diretamente como acontece com os agricultores.

 

 


Pedro explica que o uso desses produtos em parte foi incentivado depois da II Guerra Mundial, quando as sobras químicas da guerra eram utilizadas para a fabricação dos agrotóxicos. E com a chamada Revolução Verde, a produção foi acelerada. “Ou se produzia alimentos em grande quantidade ou se morria de fome, essa era a visão”, afirma o pesquisador.

 

 


O agrotóxico é utilizado principalmente em culturas muito intensas e que são produzidas em grandes áreas. “O agrotóxico protege, mas também elimina os micro-organismos úteis e naturais. E com o uso contínuo algumas pragas ficam resistentes e são necessários mais agrotóxicos, assim, cria-se um ciclo vicioso”, ressalta Pedro.

 


Produtos Agroecológicos e Orgânicos são rentáveis

 

 

De acordo com a legislação, os produtos agroecológicos e orgânicos se equivalem. A Cooperativa Ecológica dos Agricultores, Consumidores e Artesãos da Região Serrana (Ecoserra) foi fundada em 1999 e hoje conta com 450 associados. Seus principais objetivos são melhorar a saúde humana e preservar o meio ambiente, promovendo qualidade de vida, e ainda, melhorar a renda da agricultura familiar.

 

 


Para o engenheiro agrônomo da Ecoserra, Anderson Silveira Rotuno, os produtos orgânicos e agroecológicos, são rentáveis e qualquer produtor pode passar a produzi-los. Para o produto ser considerado orgânico precisa passar por uma assessoria técnica, estar regulamentado pelas leis e ter pelo menos 12 meses de produção sem utilização de agrotóxicos. “Não é simples, mas depois de a produção estar certificada e a logística de venda adaptada é possível sim, ter lucratividade”, explica Anderson. Todos os produtos são tabelados, a maçã orgânica, por exemplo é vendida por R$ 2,10 o quilo, enquanto a maçã convencional é vendida R$ 0,80 o quilo.

 

 


O agricultor comercializa seus produtos por meio da Ecoserra. No ano passado a cooperativa recebeu R$ 1,5 milhão, proveniente dos produtos vendidos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e cerca de R$ 400 mil do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

 

 

Faltam feiras de orgânicos

 

 

Para o pesquisador Pedro Boff há necessidade do fortalecimento das feiras e da aproximação do agricultor com o consumidor. “Muitas vezes vamos ao supermercado e nem imaginamos como os produtos são feitos. Os produtos precisam ser rotulados para que as pessoas saibam o que estão consumindo, a quantidade, e qual veneno foi usado. Às vezes os produtos orgânicos são um pouco mais caros, mas as pessoas vão menos às farmácias e têm uma qualidade de vida melhor. As pessoas precisam criar esta consciência”, destaca Pedro.

 

 


Já para o engenheiro agrônomo, Anderson Silveira Rotuno, é preciso incentivar a educação alimentar na escola. “As crianças precisam saber como os produtos são feitos, de onde eles vêm, assim vai se criando a cultura de consumir alimentos mais saudáveis”, afirma o engenheiro.

 

 


Em Lages, os produtos orgânicos e agroecológicos são comercializados em uma loja na rua Humberto de Campos, na rede Angeloni, em uma feira realizada nas sextas-feiras na Uniplac. E durante a safra, entre os meses de janeiro e maio na sede da Ecoserra na avenida Papa João XXIII. A expectativa é que os produtos orgânicos sejam comercializados no Mercado Público. A Ecoserra tem interesse em abrir uma loja, porém as obras do Mercado Público ainda não foram concluídas.

 

 

O mercado exige produtos grandes e bonitos

 

 

O agricultor Evandro Cezar Ortiz planta morangos há cinco anos. Ele cultiva o chamado morango condicional, com agrotóxico. Ele trata a produção uma vez por semana ou a cada 15 dias. Se chove muito, a quantidade de agrotóxico é maior. “Na nossa região não conheço ninguém que cultive morango orgânico, não compensa e o mercado quer frutas grandes e bonitas, se não tiver um padrão a gente não vende”, afirma o agricultor.

 

 


Evandro plantou 20 mil mudas de morangos, que devem render 20 toneladas do produto, sem a utilização do agrotóxico a produção seria menos da metade. Ele utiliza adubo importado de Israel e já investiu na plantação R$ 30 mil, R$ 8 mil, somente na compra das mudas que vêm do Chile e da Argentina.

 

 


Fotos: Silviane Mannrich

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