:: 18/04/2012 | Educação
Testes revelam problemas na escrita
Lages, 19/04/2012, Correio Lageano
Pesquisa do Núcleo Brasileiro de Estágios, feita com mais de 6 mil alunos, indica que cerca de 40% dos estudantes são reprovados por apresentarem resultados ruins em testes ortográficos. Curiosamente, estudantes que trabalharão diretamente com texto são os que têm piores resultados.
Acadêmicos de cursos de comunicação e informação são reprovados em 43,67% dos casos. No teste elaborado pelo núcleo, metade dos alunos de jornalismo reprovou. O pior resultado, porém, está nos segmentos de artes e design, onde sete em cada dez estudantes não alcançaram índice satisfatório. Com um índice inverso, os estudantes de engenharia são os que ficaram com os melhores resultados.
Para a professora do curso de Letras da Uniplac, Schirley Braz, os alunos chegam na faculdade com problemas graves de português. “A gente tenta corrigir, mas a universidade não é o lugar para se alfabetizar, existem outros conteúdos”. O problema mais grave está nas parônimas e homônimas. Ou seja, palavras muito parecidas, ou com a mesma grafia e significados diferentes.
Exemplos são aspirar (pode significar ‘querer’ ou ‘absorver’) e sessão/seção (a primeira significa ‘período de uma reunião’ e a segunda ‘parte ou divisão’). Outra situação em que muitas pessoas pecam na escrita é quando usam palavras que não estão no cotidiano. “Este tipo de dificuldade só é resolvido com a leitura”, explica Schirley. Quem não possuir um bom português pode ter problemas na vida profissional. Essa é a opinião da professora Schirley Braz. “Quem escreve bem detém um poder que tem valor no mercado”.
Schirley explica que a falta de aulas de português no currículo das universidades também é um problema. Isso só é corrigido com o empenho do próprio aluno, que precisa ler e escrever bastante para diminuir as deficiências.
Problema está no ensino básico
Nas séries iniciais, a criança já tem aulas de português. Separar sílabas a aprender o plural é o começo de uma jornada gramatical que se repete todo ano até a pessoa se formar. Porém doze anos estudando gramática não são o suficiente. “Existem muitos professores, principalmente da 1ª até a 5ª série que não dominam coisas básicas do português”, diz a professora Schirley Braz. Tal cenário faz que com o mau-exemplo se perpetue.
A má alfabetização não é culpa somente dos professores. Para Schirley os estudantes chegam na universidade lendo muito pouco. Segundo o Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê, em média, quatro livros por ano. Na França, por exemplo, são sete. A internet, acusada muitas vezes de ser inimiga da ortografia não é considerada por Schirley como algo ruim para o aluno.
“Se o professor trabalhar que este tipo de linguagem é só para o mundo virtual, tudo bem; mas se ele permite isso dentro de aula, acaba tornando normal, e causa um problema”. Para resolver o problema, Schirley ressalta que é necessário melhorar a formação dos professores. “É algo estrutural”, avalia.
Foto: Suelen Grimes
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