Serra Catarinense. Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014
Anuário Lages em Desenvolvimento 2014 | 2015
EM CARTAZ
ÁREA DO ASSINANTE

Área de acesso restrito aos assinantes do Jornal Correio Lageano:



Esqueci minha senha

Central de Vendas Correio Lageano (49) 3251-8200
Correio Lageano

Redação: 49 3221 3344
redacao@correiolageano.com.br

Comercial: 49 3221 3322
comercial@correiolageano.com.br

Facebook CLMais | Correio Lageano

:: 23/12/2011 | Esportes

Gustavo vai mostrar, outra vez, que é mestre em off-road

Gustavo vai mostrar, outra vez, que é mestre em off-road

Texto:

Lages, 24, 25 e 26/12/2011, Correio Lageano, por Begair Godóy

 

 


Embora a abertura da temporada do Rally de Velocidade Mitsubishi Cup seja em março, o empresário Gustavo Souza Gugelmin (28), que corre na TR4-ER com camionete a álcool de 141 cavalos de potência, faz as contas para voltar às pistas. Campeão da etapa anterior, ano em que estreou como piloto, o rapaz, que já tem título no Rally dos Sertões, não tem sossego e agora sonha com o Rally Dakar. “São 15 dias de rali e 9000 quilômetros de desafios. Estou trabalhando para conquistar esse sonho”, disse.

 


Trilhas de moto, andar de kart e fazer pilates fazem parte do programa de preparação do lageano. Só mais próximo da competição, todas as sextas-feiras antes das corridas treina na cidade da prova, em algum terreno. Isso só é possível porque a maioria delas ocorrem no estado paulista. “Sempre acho fazendas de cana-de-açúcar com terreno similar, onde posso me acostumar novamente com freio, câmbio e reação do carro”.

 


Segundo ele, o Pilates duas vezes por semana visa o fortalecimento da coluna, o que é necessário para prevenir um dos maiores problemas do ralizeiro por conta dos impactos frequentes nessa região. A comida é restrita, nada que possa fazer mal, não se come nada diferente, nada com muito tempero.

 


Antes de se tornar piloto, Gustavo foi por quatro anos navegador e fez dupla com diversos pilotos, aprendendo muito. “Cada um tem uma característica, um jeito de cuidar do carro, de entrar na curva. O rali tem disso, não existe um traçado específico, você pode ser rápido de várias formas. A navegação me ajudou muito nesse ano que pilotei, pois pude saber exatamente o que queria que meu co-piloto falasse para mim durante a prova, palavras-chaves, que ajudam a determinar o ritmo de corrida, cuidar do carro. Uma dupla precisa estar em sintonia. Ter feeling e entrosamento”, resume.

 


A estreia como piloto não foi bem como ele esperava. Desclassificado por falta de peso (3 quilos) na primeira etapa, teve que correr atrás de pontos precisando de uma temporada perfeita. Tirou de letra. Ele e o navegador Marcos Maia Pansein, de Jaraguá do Sul, tiveram uma sequência de vitórias desbancando pilotos de categorias superiores.

 


Sua experiência em três Rallys dos Sertões, campeonatos brasileiros de rali e Mitsubishi Cup foram determinantes para a recuperação. Tudo aliado ao conhecimento da parte mecânica. “Sei parafuso por parafuso”, garante.

 


Contudo, para ter toda essa bagagem ele já passou por situações inusitadas, como a que ficou no meio do deserto do Jalapão encalhado e teve que alugar um jegue, andar por três horas pelas duras areias do Sertão, até encontrar um trator para o resgate.

 


Mesmo com toda a bagagem em corridas, as adversidades surgem e as adaptações são constantes. “Sincronizar todos os movimentos e a coordenação que um carro de rali exige, pois acontece muita coisa ao mesmo tempo. É o navegador falando sobre a curva, os pés de acelerador embreagem e freio, juntamente com o câmbio, onde a marcha é trocada de diferentes formas em freadas e curvas fechadas, é totalmente diferente de dirigir na rua”, explica.

 


Além disso, o piloto deve observar muito o terreno, saber os facões, “trilhos que os carros deixam nas curvas (5 a 50 cm de profundidade)”. Se entrar muito rápido é fácil capotar. Outra coisa a enfrentar, segundo ele, é a adrenalina. “Você tem que saber segurar, pois é uma acelerada a mais, uma curva que acaba.Um erro pode comprometer a integridade física da dupla e da máquina”

 


Um pouco mais do piloto

 

 

O que achou mais difícil: ver seu pai (Sérgio Gugelmin, ex-piloto) agoniado nos bastidores ou a pressão da estreia?

 

A pressão da estreia sempre é nervosa. Há respiração ofegante, inquietação, vontade de ir no banheiro, sono, frio na barriga e boca seca. Meu pai fica agoniado em todas as corridas, devo ter ouvido no telefone e pessoalmente mais de 300 vezes a palavra “calma”, pois ele sabe que quando largo, sempre acelero forte. Ouço do meu navegador também muitos “não exagera”.

 

 


As pistas escolhidas são sempre surpresas, mas sempre tem um tipo que a dupla mais gosta. Porque?

 

Nada é combinado. Simplesmente tem uma planilha de dados que indica as curvas e obstáculos perigosos. Gosto das pistas mais esburacadas, com curvas de alta velocidade com muitos saltos, piso arenoso e cascalho. O carro tem que estar sempre instável.

 

 

Chegar no final da temporada precisando de poucos pontos é mais emocionante ou brigar ponto a ponto é de fato o que emociona mais?

 

Precisar de poucos pontos é sensação de dever cumprido. Um campeonato perfeito. Passei o ano sob muita pressão, precisando ganhar todas as corridas, torcer para o carro não quebrar e não falhar.

 


 
Como você consegue conciliar a vida de empresário e piloto? Do que você precisa abrir mão?

 

A tecnologia está muito avançada. Permite controlar a empresa de longe quando estou correndo. Sempre tenho que trabalhar até mais tarde em semana de corrida para deixar tudo certo. É preciso negociar com os amigos e família, casamentos, festas, jantares, compromissos profissionais e não chatear ninguém. Agradeço minha namorada por saber administrar essa minha paixão.

 

 

Seu pai vai voltar às pistas?

 

Gostaria que ele voltasse. Já fiz proposta para ele de reversarmos. Uma prova ele pilota e vice-versa, mas ambos seriam navegadores. Seria uma temporada diferente e até mesmo divertida. Espero que ele aceite e vamos descobrir quem é mais nervoso.

 

 

O rali é um esporte caro? Quanto gasta por temporada? E a premiação nessa categoria de 2012 é atrativa?

 

O que difere o rali promovido pela Mitsubishi é a captação de recurso, as mídias envolvidas e a distribuição de prêmios que animam os competidores. Se obter boas colocações é possível correr com bem pouco.

 


 
Em 2013 o Mit Cup entra na 13ª edição, terá sete etapas e inicia em março, em Ribeirão Preto. O que será o diferencial se comparado com outras edições?

 

Cada vez o rali está mais profissional com pistas mais técnicas. O diferencial é o profissionalismo exercido pelos organizadores, fazendo deste evento um sucesso absoluto, podendo ser visto em mais de 25 canais de televisão pelo Brasil, despertando a curiosidade de muitos.

 

 

Como é a tua concentração antes das largadas? É supersticioso?

 

Começa na sexta quando recebo a planilha. Examino e anoto todos os dados que quero repassar para o co-piloto. No dia da corrida, dez minutos antes da prova, sinto o barulho do motor, verifico o engate do 4 x 4, o câmbio, o volume do rádio dos capecetes. Todo piloto é um pouco supersticioso. Esse ano usei a mesma luva que meu pai correu em 2011, mesmo rasgada em alguns pontos. Deu certo.

 

Foto:Arquivo CL

Assine o CL Online

Comentários

Para comentar esta notícia entre com seu e-mail e senha de assinante. Caso não seja assinante, clique aqui. | Esqueci minha senha >>

  • (*) Campos obrigatórios.

Últimos Comentários