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:: 11/08/2017 | Esportes

Rafaela Nicolete: Técnica das Leoas fala sobre representatividade

Rafaela Nicolete: Técnica das Leoas fala sobre representatividade

Texto:

Lages, 12 e 13/08/2017, Correio Lageano, por Camila Paes

 


A educadora física Rafaela Nicolete chegou a Lages em 2014 para trabalhar nas equipes de base das Leoas da Serra. Atualmente, é treinadora da equipe principal e é uma das responsáveis pelo bom desempenho na Taça Brasil de Futsal. Natural de Americana, em São Paulo, Rafaela foi atleta de futsal, mas, por causa de uma lesão, tornou-se jogadora de tênis de mesa. Em entrevista ao Correio Lageano, ela falou sobre a importância da representatividade feminina nesse meio.

 

 

Correio Lageano_ Você tem contato com outras treinadoras brasileiras? Acha que as mulheres têm espaço?
Rafaela Nicolete_ Tem ótimas treinadoras no Brasil, como a treinadora da hidráulica, do time de Brasília, de Tocantins; tem algumas pelo Brasil. Tem pessoal fazendo bons trabalhos. Porém, ainda há a predominância masculina, mas tem boas mulheres trabalhando com o futsal.

 

 

Você acredita que poderia ter mais espaço para as mulheres?
Eu acho que ainda tem um bloqueio. Mas todo dia estamos mostrando competência e o preconceito tem diminuído com estudo, trabalho, e mostrando resultados. Temos mostrado que somos capazes e desmistificado isso aí. É um pouco mais difícil para a mulher, pois há um pouquinho de preconceito, bem menos do que anteriormente, mas há. Mas as mulheres também têm que mostrar que são capacitadas e estão aptas a assumir as atividades.

 

 

Como mulher, você se sente valorizada na sua função?
O projeto é de empoderamento feminino. Lages é uma cidade com muita violência doméstica, então, o intuito é o empoderamento feminino. Quando eu entrei, era um homem que treinava a equipe principal e eu assumi as bases. Mas, depois, assumi, ganhei um voto de confiança e acho que a gente tem um bom relacionamento, tenho uma boa confiança das atletas e da nossa diretoria. Sempre tive bastante respeito e apoio, e reconhecimento do trabalho, sim.

 

 

O machismo é fator importante nas dificuldades enfrentadas nos times femininos? 
Com certeza. Na hora em que o pessoal vem apoiar um projeto feminino ou masculino, ainda pesa, né! Porque é mais fácil o pai levar o menino jogar futebol, do que levar a menina. Com as escolinhas, com o projeto tendo boa visibilidade, não só referências de atletas, são referências de seres humanos, com bolsas de estudo na faculdade, o pessoal começou a olhar com outros olhos, que é projeto mais sério, que as meninas realmente treinam, que é uma carreira. Mas com certeza, a maior dificuldade é a visibilidade, aparecer na mídia realmente, para mostrar que é importante para as pessoas que possam participar e que vejam que é séria e quererem ajudar. E por acharem que tem pouca visibilidade, preferem patrocinar um masculino, com nível inferior, do que um feminino que é uma equipe de nível nacional.

 

 

O preconceito dificulta que mais meninas participem dos projetos?
Eu acho que com as famílias tivemos menos problemas assim. Elas viram que é sério, que as professoras que estão envolvidas com as crianças, principalmente, têm uma postura condicente ao que esperamos. É muito difícil termos problemas de comportamento, você nunca vai ver uma leoa bebendo ou fazendo algo que seja ilícito e que não seja condicente com a postura que esperamos delas. Às vezes, a gente ouve alguma menina da escolinha falando “minha amiguinha falou que porque estou jogando futsal e não faço balé, não é mais minha amiga, que não posso mais participar do grupo de amizade.” As meninas sofrem um pouquinho e ficam tristes, mas, com o tempo, estamos conseguindo diminuir. Mas a gente vê histórias e preconceitos de alguns pais que não acompanham as meninas porque é futsal, mas acho que já diminuiu bastante e o intuito nosso é mostrar nossa cara, é algo legal que estamos fazendo, construtivo, que vai ser bom pra vida delas, não só na parte esportiva, mas também nos relacionamentos pessoais, empoderamento, postura, caráter, e muito mais.

 

 

Quais são as dificuldades das Leoas hoje?
Hoje em dia, nossa maior dificuldade financeira bem grande. O projeto cresceu muito e estamos com muitas atletas com nível de seleção brasileira, mas também estamos tentando manter as categorias de base, manter o futuro. Precisamos conseguir manter o grupo, manter as atletas no nível de seleção, o projeto, as escolinhas.

 

 

 

Foto: Camila Paes

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