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:: 19/05/2017 | Serra Catarinense

Aristiliano Ramos: Seis anos depois, demolição não está definida

Aristiliano Ramos: Seis anos depois, demolição não está definida

Texto:

Lages, 20 e 21/05/2017, Correio Lageano, por Camila Paes

 

Estrutura que abrigava escola com mais de mil alunos, foi interditada pela Defesa Civil há seis anos


Antes da interdição, quem passava pelo calçadão da praça João Costa no Centro de Lages, ouvia do prédio do colégio Aristiliano Ramos, vozes de crianças, ensaios de banda no pátio e professores ministrando aulas. Agora, seis anos depois da realocação de estudantes e professores da escola, o único barulho vindo do prédio é dos muitos pombos, que tomam conta do local. Em 2015 a Justiça decidiu pela demolição do prédio. O Ministério Público, que é contra a demolição, entrou com recurso contra a decisão.


Quando foi interditado, em 2011, os problemas estruturais eram muitos e considerados perigosos para aqueles que transitavam pelo edifício. Na época, manifestações em frente a escola, pediam a reforma do prédio. A promessa inicial era que a escola seria reformada e os alunos voltariam a instituição. Entretanto, isto não aconteceu e o projeto de revitalização do Centro de Lages lançado em 2013 prevê a demolição da estrutura.


A demolição só foi autorizada em 2015, quando o MP entrou com pedido para a manutenção da estrutura, declarando que o prédio tem grande valor histórico para a cidade. A Justiça permitiu a demolição, depois que o Conselho Estadual de Cultura (CEC), se declarou, em agosto de 2015, favorável a demolição e criação de um memorial para preservar a história da escola.


Segundo o consultor jurídico da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR), Luiz Gustavo Bazzo Assink, o Governo do Estado ganhou nas instâncias municipal e estadual a ação proposta pelo MP, o que significa que permanece a decisão da demolição do prédio. Após a sentença, proferida em Florianópolis, o Ministério Público entrou com recurso de embargo de declaração, que tem como intenção entender a última sentença proferida pela Justiça. Após analisar a resposta que será dada pelo Juíz, o MP pode entrar novamente com recurso, forçando que o processo seja julgado em Brasília.

 

Arquiteta avalia que prédio possui estilo Art Déco

Para a arquiteta, urbanista e mestre em preservação do patrimônio cultural Lilian Fabre, ouvir a opinião dos próprios lageanos e como o prédio contribui para sua própria história, é o que falta para que a discussão sobre a sua destinação se torne mais clara.


A restauração, segundo Lilian, não seria um processo simples, principalmente pelo estado avançado de deterioração da estrutura, desde que foi interditada em 2011 pela Defesa Civil e o interesse na sua retirada para abrigar um projeto de revitalização da praça. “Se houvesse manutenção, seria mais simples, outra realidade”, ressalta.
Com isso, o espaço poderia voltar a abrigar uma escola ou até mesmos outros órgãos públicos, não necessariamente entidades ligadas a cultura e preservação da história, e com isso, voltaria a ser um espaço a ser utilizado no cotidiano da cidadeaponta Lilian.


O estilo arquitetônico do prédio é Art déco. Diferente de outros prédios característicos de Lages que também são conhecidos por esse estilo, como o Teatro Marajoara, o edifício Dr. Accácio e tantos outros, o antigo colégio Aristiliano Ramos, tem características mais modernas. “O prédio é mais sóbrio, racional, até mesmo porque abrigava escola pública e laica”, explica ela.


História_ O colégio Aristiliano Ramos foi inaugurado em Lages na década de 1930 e foi a primeira instituição no Estado do programa Escola Nova, que trazia mudanças para o sistema educacional brasileiro na época. O movimento defendia a universalização da escola pública, laica e gratuita. O Aristiliano Ramos foi a primeira escola laica em Lages. Rui Barbosa foi um grande influenciador desse movimento, que visava preparar o aluno para acompanhar o desenvolvimento intelectual e a expansão urbana no País. Na época em que foi interditado, 1,3 mil alunos frequentavam a escola diariamente.


Enquete_ Em 2011, o Correio Lageano perguntou aos internautas, sobre o destino da escola, já a discussão era grande e as manifestações pedindo atenção a estrutura eram corriqueiras. A votação bateu recorde na época, com mais de 30 mil votos. 67%, cerca de 20 mil pessoas, optaram pela possibilidade da estrutura ser um teatro ou centro cultural. 33%, decidiram pela demolição e 10% acreditavam que a solução seria a instalação do setor administrativa da Agência de Desenvolvimento Regional de Lages.

 

 

Vários são os motivos para retirada de prédio

A demolição foi definida devido ao projeto de Revitalização do Centro, que tem como financiador principal o Governo do Estado. Além disso, acredita-se que o prédio não possui uma vocação, pois sobram salas de aula em escolas próximas, não há a necessidade de espaço para um museu ou centro cultural e o acesso ao local é complicado, devido a sua localização em uma praça.

 


Utilização_ Uma alternativa seria instalar um espaço de serviços públicos, como um posto de saúde. Mas o consultor jurídico da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR), Luiz Gustavo Bazzo Assink acrescenta que com o dinheiro a ser usado para a reforma do prédio, é possível construir um novo e moderno, em outro ponto da cidade.
Ele reforça que o projeto de revitalização do Centro de Lages pretende manter a memória da história da escola e também abrirá espaços para um local que poderá ser utilizado para lazer e convivência da comunidade.


De acordo com Assink, o Governo do Estado defende que a importância histórica do prédio está em sua localização e não na estrutura em si, já que anteriormente no local, existia a primeira cadeia pública, a primeira casa maçônica do Estado e até mesmo um pelourinho, local onde eram punidos e expostos os criminosos.

 


Manutenção_ A limpeza do entorno do prédio está sendo realizada pela ADR, já que no local passam diversos pedestres todos os dias. Entretanto, a manutenção interna do prédio é considerada um desperdício, já que há a intenção clara de demolir. “Você pegar um recurso que poderia ser usado em outras áreas, para usar num prédio que tem a intenção de que não exista mais, não teria muita lógica”, ressalta Assink.

 


Começo da obra_ O secretário-executivo da ADR, João Alberto Duarte, explica que caso a decisão final seja pela manutenção do Aristiliano, não há plano B para a revitalização do Centro, além de que será necessário fazer um projeto para a reforma do prédio. “A expectativa é que ocorra a demolição”, ressalta. O início da obra de revitalização do Centro aguarda as últimas adequações do projeto, para então ser encaminhado ao convênio e começar o processo de licitação. Já o promotor de Justiça do Meio Ambiente, Renée Cardoso Braga, que defende a manutenção da edificação, ressalta que a não demolição do prédio, não impede o início da obra de revitalização do Centro, como antes era divulgado.

 

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Fotos: Camila Paes

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