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:: 18/04/2017 | Saúde

Demora para atender crianças gera indignação por parte dos pais

Demora para atender crianças gera indignação por parte dos pais

Texto:

Lages, 19/04/2017, Correio Lageano, Vinicius Prado

 

Atendimento demora até seis horas, dependendo do dia, no hospital infantil

 

Quase cinco horas. Este foi o tempo que a contadora Thais Muniz esperou para ser atendida no Hospital Infantil Seara do Bem, em Lages. Com o filho de 13 meses em estado febril, a mãe desistiu de esperar após o tempo exceder a norma definida pela Agência Nacional da Saúde Suplementar (ANS).
 

Thais chegou no hospital por volta das 18h30 de segunda-feira. Depois de realizar a triagem às 18h59, a contadora sentou na sala de espera, com o filho no colo, e aguardou. As horas foram passando e nada de serem chamados. Mais pessoas com seus filhos foram chegando e passando na frente, e nada de Thais ser atendida.


A medida que foi ficando tarde, Thais foi ao balcão perguntar o motivo da demora. “Às 22h35, perguntei à atendente se ainda faltava muito para sermos atendidos. A essa altura, ele [o bebê] já tinha dormido e acordado várias vezes, chorado um pouco e mamado, também, o que fez com que a temperatura cedesse, porém, continuava enjoadinho e visivelmente abatido”, relata a mãe.

 

Quatro horas_ Para a surpresa dela, mesmo depois de quatro horas esperando, ainda havia 18 crianças a serem atendidas na sua frente. “Se eu quisesse esperar, seriam atendidas primeiro essas 18 crianças, isso se nesse meio tempo não chegasse outras emergências. Ou seja, iríamos esperar muito mais”, conta Thais. A mãe resolveu solicitar a ficha do filho e verificou que sua condição de saúde havia sido classificada como risco verde, ou seja, segundo as normas de Tempo de Espera na Urgência e Emergência, da ANS, deveria receber atendimento em, no máximo, 120 minutos.

 


Boletim de ocorrência_ Visto que esperou o dobro do tempo determinado por lei, Thais questionou a recepção e uma médica de plantão. “Fui informada que nada poderiam fazer a respeito e que se eu quisesse reclamar, deveria voltar no dia seguinte, às 9 horas,  para falar com um responsável”. Thais, então, foi embora, às 23h20, sem atendimento. “Nós dois cansados, com fome, sem tomar banho, doentes, enfim, uma situação extremamente pesada para vivenciar com uma criança no colo, louca para ir para casa”, completa.

 

Além da espera, a contadora diz que sofreu com o deboche de uma atendente na recepção. Ela e outras mães chamaram a Polícia Militar, de forma a pressionar os responsáveis, mas foram informados que nada poderia ser feito. Thais foi à Delegacia de Polícia Civil e registrou um Boletim de Ocorrência. A família não recebeu nenhuma explicação ou reparação por parte do hospital.

 


O hospital_ O diretor do hospital, Eder Alexandre Gonçalves, explica que, nesse dia em específico, foram atendidos 262 pacientes, e que todas as segundas-feiras têm sido de grande a demanda. “Principalmente, os que não têm assistência no final de semana, acaba sobrecarregando o atendimento”, diz.


Segundo ele, o Conselho Federal de Medicina preconiza que uma consulta deve durar em torno de 15 minutos, sendo quatro pacientes por hora. Na segunda, foram 144 atendimentos, somente no período de 12 horas em que Thais buscou o hospital. “Estamos falando no período de 12 horas, de 12 pacientes por hora. O preconizado é em torno de quatro. Dois médicos atendendo simultaneamente, então, estávamos 50% acima”, calcula o diretor.


Ele diz que por mais que se siga a exigência do Ministério da Saúde, situações assim, inevitavelmente, acontecem. Além de pacientes que poderiam ter buscado a atenção básica, mas, por algum motivo, não conseguiram e tiveram de recorrer ao hospital. Em casos como o de segunda, Eder diz que é “humanamente impossível” conseguir atender a todos, podendo haver esse tipo de reclamação em qualquer dia.

 

 

Outros casos de demora já aconteceram no hospital

A estudante Dâmilly Kamila de Lima dos Santos também passou por uma situação semelhante a de Thais. Ao levar seu filho de 1 ano e 9 meses ao Hospital Infantil Seara do Bem, há um mês, esperou mais seis horas para ser atendida. Seu bebê estava com febre e, durante a triagem, a mãe conta que a enfermeira nem deixou o termômetro aferir completamente a temperatura. Segundo Dâmilly, todas as vezes que precisou da unidade, o atendimento sempre foi demorado. Somente no último sábado conseguiu ser atendida mais rapidamente.

 

 

O que diz a lei sobre o tempo de espera

De acordo com a ANS, o tempo médio transcorrido entre a chegada do paciente no Pronto Atendimento e avaliação médica inicial segue uma classificação de risco, em cinco níveis: emergente – risco imediato à vida (cor vermelha); muito urgente – risco iminente à vida (cor laranja); urgente – potencial ameaça à vida/potencial evolução para sérias complicações (amarelo); pouco ou menos urgente (verde); e não urgente (azul).

 

Essas normas estão afixadas, num pôster, na sala de espera do hospital infantil. Desde o dia 26 de setembro do ano passado a unidade segue esses parâmetros. Quando começou a atender a partir das normas, o hospital recebeu bastante reclamações porque o tempo de espera aumentou, ao contrário do que era esperado.

 

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Foto: Divulgação

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