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:: 17/04/2017 | Serra Catarinense

Desafio pode levar adolescentes ao suicídio

Desafio pode levar adolescentes ao suicídio

Texto:

Lages, 18/04/2017, Correio Lageano, por Andressa Ramos

 

Em Lages foi registrado o primeiro caso de tentativa de suicídio por causa do jogo. Vítima de 15 anos está internada

 

Mães, pais ou responsáveis, já olharam o celular dos adolescentes que moram com vocês? Perceberam alguma mudança no comportamento deles? O alerta é de uma mãe de um adolescente de Lages, de 15 anos, que tentou se matar por duas vezes, depois de participar de um “jogo” no WhatsApp. O desafio da Baleia Azul, incentiva os integrantes a se cortarem, fingirem doenças e, por fim, o suicídio.


Há poucas semanas, a vítima era um adolescente como qualquer outro. Estudioso e dedicado, frequentava a escola pela manhã e, à tarde, era cuidador de duas crianças. Até a semana passada, dividia o quarto com o irmão caçula de 9 anos. Então, pediu para que o pequeno passasse a dormir com a mãe. Ela não viu problema e acatou o pedido. Depois disso, as mudanças foram notórias: olhar triste, passou a ficar mais tempo no quarto e apresentou agressividade.


Numa manhã, a mãe foi ao quarto e o menino não acordava. “Deixei dormir, pensei que era sono”. Perto do horário do almoço ela foi chamá-lo e ele não acordava, nem se mexia. Cartelas de remédios foram encontradas ao seu redor.


No hospital, em meio ao delírio, ele confessou que estava participando de um jogo e que não queria mais viver. O menino voltou para casa e, por três dias, sua mãe o ficou monitorando ininterruptamente, porém, ao ir tomar banho, na terça-feira (11), únicos minutos que ficou sozinho, mais uma vez tomou remédios, saiu do banheiro, deitou e não acordou mais. Desta vez, foi necessário chamar o Samu e ao chegar no hospital ele pedia “não deixa eu voltar para casa, se eu voltar vou morrer. Cuida de mim, mãe”

 

Além de tomar os remédios na tentativa de um suicídio, o garoto fez diversos cortes pelo corpo. Ele está internado no Hospital Infantil Seara do Bem, em um quarto isolado, sem acesso a aparelhos com internet.


A mãe conta que o adolescente recebeu um link via rede social para participar de um grupo, ele clicou e recebeu os 50 passos para cumprir o desafio. Os primeiros foram concluídos, mas por achar que não aguentaria até o final, quis antecipar a 50ª etapa, que era se matar.

 


Sobre o jogo_ O jogo se chama “Desafio da Baleia Azul” e consiste em fazer diversas provas para testar os medos dos participantes, como ouvir músicas perturbadoras e até mesmo andar em cima de prédios muito altos. Todos esses desafios são organizados por um “mentor” em grupos fechados do Facebook e até mesmo de outras redes sociais.

 

 

Psicólogas fazem alerta aos pais sobre redes as sociais

A neuropsicóloga Gisele Willrich Narciso Agostini explica que o pensamento de morte não pode ser banalizado e que quando os adolescentes falam que querem ir embora, mudam abruptamente de comportamento, têm fadiga, dormem demais, apresentam sentimento de desesperança, baixa capacidade de resolução de conflitos e interação social devem procurar um profissional especializado.

 

No caso do Desafio da Baleia Azul, a orientação é que, ao menor sinal, os pais façam o monitoramento das redes sociais e usem da sua autoridade. Gisele explica que da forma como o jogo é apresentado, ele se torna algo natural entre os participantes, pois são várias tarefas a serem cumpridas, por isso, a importância do envolvimento ativo e constante dos pais na vida dos filhos e observação de comportamento.

 

 

Layla Ehing, psicóloga 

"Que saibamos ouvir o jovem, suas necessidades, estabelecer um diálogo de forma empática, rotinas de boas ações, como prática de esportes, trabalho voluntário, que estimulem os jovens a sentirem-se pertencentes ao local em que vivem e, com isso, busquem sempre preservar a vida, tanto a sua, como a do outro.”

 

 

Danielle Angeli, psicóloga

"Os pais, a cada dia, devem estar mais atentos aos comportamentos dos filhos e o que eles postam nas redes, pois ali tem muita informação do que o filho está fazendo, pensando, quem são os relacionamentos deles. É um ambiente muito frágil. Ainda mais que o jogo tem como ponto principal a ideação suicida. Normalmente, são os jovens que já são mais depressivos e estão fragilizados emocionalmente que se envolvem. Então, os pais devem ter esse cuidado.”

 

 

Polícia Civil investiga caso de vítima do jogo em Lages

O delegado da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Lages, Frederico Cezar de Melo Silva, afirma que um caso sobre o Desafio da  Baleia Azul está sendo investigado na cidade, mas não passou detalhes sobre a ocorrência. No Brasil, que ele saiba, nenhuma pessoa foi presa envolvida neste jogo. Em Santa Catarina, outros casos estão sendo investigados. O delegado explica que o jogo atinge, principalmente, pessoas com algum tipo de fragilidade emocional, e pede para que os pais procurem acompanhamento psicológico

 


A mãe do adolescente, vítima desse jogo, contou que o celular com todas as conversas entre o curador, pessoa que enviou os desafios que o garoto deveria cumprir, e o seu filho, foram entregues à Polícia Civil. No celular, estão mensagens do grupo de WhatsApp, Blue Whale Challenge, em que fotos com cortes pelo corpo foram enviadas, além disso, há textos que ameaçam o adolescente quando tenta dizer ao curador que não fará mais parte do desafio.

 


O jogo_  A mãe relata que nas conversas, um grupo de organizadores chamados “curadores”, propõe 50 desafios macabros, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados em partes do corpo e ficar doente. O desafio foi criado na Rússia e pode ser o motivo pelo qual 100 pessoas já morreram no país.

 


Ajuda_ Os pais podem procurar ajuda gratuita no Centro de Atenção Psicossocial Infância e Adolescência. Médicos, psicólogos e psiquiatras fazem atendimento. A coordenadora do Centro, Cássia Broering, alerta para que os pais observem e monitorem seus filhos.

 

 

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Fotos: Divulgação

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