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:: 20/03/2017 | Serra Catarinense

Clientes não deixam de comprar carne em Lages

Clientes não deixam de comprar carne em Lages

Texto:

Lages, 21/03/2017, Correio Lageano, por Vinicius Prado

 


A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, deixou os consumidores com o pé atrás em relação a qualidade da carne brasileira. Mas o burburinho se notou mais na internet, porque nos supermercados as pessoas não deixaram de comprar os produtos.


No Supermercado Martendal, os carrinhos continuam cheios de alimentos embutidos como empanados, mortadelas e hambúrgueres e as famílias não parecem preocupadas com as denúncias, de que alguns destes produtos poderiam estar sendo processados com agentes químicos para maquiar o aspecto físico.


Os estudantes Gabriel Guterres e Gabriel Eduardo Lubenow, ambos de 18 anos, dizem que raramente verificam a procedência dos alimentos, mas com essa notícia pretendem ficar atentos a qualidade dos produtos.

 

Teve gente que ficou sabendo somente no domingo, quando divulgado na televisão aberta no último domingo. Mas tem alguns que ressaltam que não tem como deixar de consumir essas comidas e, muito menos, saber como são feitos, comparando a situação com a do leite, que meses atrás também apresentou problemas.

 


Açougue_ Há mais de 30 anos trabalhando com açougue, o chefe do setor no mercado, Clenior Donizete, comenta que em todo esse tempo de trabalho nunca viu algo semelhante. No último fim de semana, ele relata que alguns conhecidos faziam piada, mas não deixaram de comprar carne. “Alguns diziam: mas é carne ou papelão”, diz Clenior. 

 


Vendas_ O presidente da Associação Catarinense de Supermercado (Acats), Jackson Martendal, acredita que as vendas não vão diminuir. “O consumidor está consciente”. Martendal observa que as pessoas estão mais atentas, por isso não devem deixar de consumir, além de ressaltar que a operação policial envolve casos pontuais.

 

Entidades se manifestam

Governo do Estado_ Em Santa Catarina, apenas uma filial de uma empresa paranaense, instalada em Jaraguá do Sul é investigada. Face a esta situação, o governador do Estado, Raimundo Colombo, esteve reunido domingo com os secretários da Agricultura, Moacir Sopelsa, da Fazenda, Antonio Gavazzoni, da Casa Civil, Nelson Serpa, e da Comunicação, João Debiasi, o secretário adjunto da Agricultura, Airton Spies, e os presidentes da Cidasc, Enori Barbieri, e da Epagri, Luiz Hesmann, para avaliar os reflexos da operação Carne Fraca para Estado.

 


Colombo disse que a rigorosa fiscalização dos produtos de origem animal no Estado sempre buscou garantir a qualidade na produção e na comercialização dos produtos. “Não vamos abrir mão de preservar a saúde dos nossos consumidores, mas também não podemos abrir mão dos empregos que a agroindústria gera e de proteger as famílias produtoras”. Raimundo Colombo manteve contatos frequentes com o presidente Michel Temer?

 

 

Faesc_A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina também veio a púbico condenar “veementemente as ações criminosas praticadas por funcionários de alguns dos maiores frigoríficos do País mancomunados com fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura”. A nota da federação destaca que “a venda e o uso de carnes sem as condições adequadas de consumo humano no processamento de produtos industrializados é um crime contra a saúde pública”.

 

 

BRF_ A Brasil Foods informou, em nota, que está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. Segundo a empresa, não há risco para os consumidores. “A companhia reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas”.

 

 

JBS_ Um dos grupos citados inicialmente na Operação Carne Fraca, foi a JBS Alimentos, responsável por diversas marcas como Friboi e Seara. Lages tem uma filial da JBS Alimentos, localizada às margens da BR-116. Lá são produzidas lasanhas, pizzas e pratos feitos.  Procurada, a empresa informou que somente em São Paulo podem falar sobre o caso. No site da JBS, foi divulgado uma nota oficial, para esclarecer o assunto. Dez pontos foram elencados neste pronunciamento, garantindo a seguridade dos alimentos, entre eles as certificações que seguem os padrões ISO 9001 e os mais de 2 mil profissionais dedicados exclusivamente a garantir a qualidade dos seus produtos. O grupo ressalta ao fim da nota que os casos citados na imprensa sobre produtos adulterados não envolvem nenhuma das marcas da JBS. Nenhuma planta da JBS foi interditada pelas autoridades. Além de nenhum dirigente ou executivo da empresa, ao contrário do publicado por alguns veículos, ter sido alvo de medidas judiciais na operação.

 

 

São 21 investigados em 4.800 estabelecimentos brasileiros

Ao longo das investigações que culminaram na Operação Carne Fraca, deflagrada na manhã do dia 17, a Polícia Federal (PF) descobriu que os frigoríficos envolvidos no esquema criminoso “maquiavam” carnes vencidas com ácido ascórbico e as reembalavam para conseguir vendê-las. Segundo a polícia, as empresas, utilizavam ácidos e outros ingredientes químicos, em quantidades muito superiores à permitida por lei para poder maquiar o aspecto físico do alimento estragado ou com mau cheiro.
As empresas, então, subornavam fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para que autorizassem a comercialização do produto sem a devida fiscalização. A carne imprópria para consumo era destinada tanto ao mercado interno quanto à exportação.

 


A operação é resultado de dois anos de investigações e foi divulgada na última sexta-feira. Mais de 1,1 mil policiais federais cumpriram 309 mandados em sete unidades federativas: São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás. Além das empresas que participavam do esquema, a operação tem como alvo os fiscais do Ministério da Agricultura, que se beneficiaram do recebimento de propina e de vantagens pessoais para liberar a venda da carne imprópria para consumo.

 


Governo Federal_ Em pronunciamento, o presidente da República, Michel Temer, minimizou a operação. Ele disse, ontem, que os problemas descobertos em frigoríficos pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, atingem apenas uma pequena parte do setor. São 21 unidades investigadas num universo de 4.800 existentes em vários estados brasileiros.  “O agronegócio é para nós uma coisa importantíssima e não pode ser desvalorizado por um pequeno núcleo, uma coisa que será menor: apurável, fiscalizável e punível, se for o caso. Mas não pode comprometer todo o sistema que nós montamos ao longo dos anos. Exportamos para mais de 150 países”, disse a uma plateia de empresários na sede da Câmara Americana de Comércio, na capital paulista. O presidente ainda destacou que o número de funcionários públicos envolvidos (um total de 33) é pequeno em comparação ao tamanho do quadro do Ministério da Agricultura, de mais de 11 mil servidores.

 

 

Rompimento internacional

Importação_ Alguns países suspenderam temporariamente a importação de carnes brasileiras. Todos os países da Europa interromperam, já o Chile, China e Coreia do Sul adotaram mudanças. Um total de 31 países decidiram suspender a importação ou a venda das carnes.

 

Consequência_ A União Europeia é um dos maiores consumidores de carne de boi e frango do Brasil. Somente no ano passado, os países de lá importaram o equivalente a US$ 2,5 bilhões. Esse número provavelmente vai diminuir, pelo menos, até que o caso seja solucionado.

 

 

 

Foto: Vinicius Prado?

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