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:: 17/03/2017 | Economia

Pães foi a alternativa de renda para o casal

Pães foi a alternativa de renda para o casal

Texto:

Lages, 18 e 19/03/2017, Correio Lageano, por Andressa Ramos

 

Depois de entregar 70 currículos ela decidiu fazer pães para vender

 


Depois de morar oito anos em Mato Grosso, Cintia Hintze, 30 anos, e o marido Célio Roberto, 37 anos, decidiram retornar à cidade natal de Cintia para uma vida mais tranquila. Chegaram a Lages em novembro e, até dezembro, aproveitaram a folga.

 

Porém, em janeiro, o dinheiro que tinham na conta foi diminuindo e os dois foram em busca de emprego. Ela entregou 70 currículos e foi chamada para entrevista, mas não foi contratada. Roberto também fez uma entrevista de emprego, mas ouviu do empregador que o currículo era muito bom para o salário disponível. Sem emprego, os dois pensaram em uma alternativa para ganhar dinheiro.

 


Eles tinham comprado cilindro de massa para usar em casa, porém, a máquina ainda estava embrulhada e guardada. Numa tarde, Cintia foi convidada para um café com a família, mas com o combinado de que ela levaria o pão. Ela fez uma receita que rendia três pães de forma. A família aprovou e a mulher ficou com a ideia na cabeça de que se os familiares tinham gostado, ela poderia vender seus pães para outras pessoas.

 

Conversou com sua mãe e sua tia que gostaram da sugestão, então, no outro dia, fez 15 pães e vendeu todos apenas para os familiares. Com a motivação, fez 48 pães, levou para alguns lugares da cidade e conseguiu vender, restaram apenas 24 que ela levou para o semáforo e em 40 minutos todos tinham sido vendidos. Cintia vende em média 40 pães por dia, entre 15h30 e 19 horas, na Avenida Belisário Ramos, mas a vontade é de ampliar os negócios.

 


Como os pedidos por outros produtos surgiram, o marido, que já ajudava na cozinha, passou a pôr a mão na massa e hoje é ele quem faz as cucas de goiabada e chocolate. Parte das receitas são tradicionais em Mato Grosso, outras são da mãe de Célio, e outras da mãe de Cintia.

 


Assim, o casal encontrou na alternativa, que seria apenas até conseguir um emprego com carteira assinada, que se transformou na renda principal. Como o objetivo de retornar a Lages era uma vida tranquila e menos agitada, os dois trabalham apenas de segunda a sexta-feira, e com essa flexibilidade, aproveitam para folgar nos finais de semana.

 

 

Aposentando e ainda trabalhando

O simpático homem de chapéu que vende panos de prato no semáforo da Avenida Belisário Ramos com a Avenida Duque de Caxias, é Sadi Ribeiro de Liz, 60 anos. Ele é aposentado há oito anos, mas, mesmo assim, não deixou de trabalhar.

 

Quando se aposentou, aos 52 anos, trabalhou mais cinco anos em gráficas. Porém, com a tecnologia, sua profissão deixou de existir. Ele trabalhava com máquina de tipografia. Com dois filhos menores de idade, ele sentia, no bolso, que precisava encontrar um trabalho para complementar a renda. Então, enquanto vendia jornal no semáforo foi, convidado para vender pano de prato, viu que o investimento era baixo e o retorno positivo e começou a vender. Há um ano ele é vendedor. “É bom porque venho trabalhar o horário que quero, os dias que quero e ainda conheço bastante gente.”

 

 

Economista afirma que o Brasil está empobrecendo

Com o desemprego, as pessoas procuram alternativas para aumentar a renda, ou até mesmo para sobreviver, com isso, surge a economia informal, vendas na rua ou porta a porta, que está se expandido de forma intensa, não só em Lages, mas em todo o país. O economista Flávio Valente vê esta forma de economia como alternativa, mas o positivo seria se a economia estivesse crescendo e a oferta de emprego, oportunidades e de ganho de dinheiro estivessem aquecidos. “Mas não está”.

 

 

Decrescente_ Para Valente, o Brasil está em uma decrescente, principalmente no ramo da indústria. Valente explica que a economia do Brasil se divide em três partes: “até Getúlio Vargas (economia de subsistência), a segunda com Juscelino Kubitschek (indústria do consumo) e a terceira fase foi quando o Brasil viveu o período da revolução em que o país cresceu muito”. A desindustrialização e a importação de tecnologia estão saindo muito caras para o país, com isso, vem a menor oferta de oportunidade das pessoas, tanto na área de serviços quanto na área de indústria.

 

“Como estamos numa descrescente, vem diminuindo a renda das pessoas, aumentando o desemprego e o que está restando para sobreviver é a chamada economia informal. Fazer um bico para sobreviver. Está cada vez mais restrita a oportunidade de ganho e fica aquela história do’ vire-se como puder’.”

 


Na enquete feita pelo Correio Lageano nos calçadões do Centro de Lages, as pessoas já trabalharam em alguma época de sua carreira com serviços extras para complementar a renda. Mas com o emprego fixo, deixaram de lado essa alternativa.

 


IBGE_ No ano passado, a fatia da economia subterrânea em toda a riqueza gerada no País foi 16,2%, aponta o Índice de Economia Subterrânea, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas, em parceria pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial. Em número absolutos, R$ 956,8 bilhões de riqueza foram gerados na informalidade, no ano passado.

 

 

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Fotos: Andressa Ramos e Vinicius Prado

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