CL na Festa do Pinhão

CL na Festa do Pinhão Vídeos

  • 09/06 Amado Batista

  • 09/06 Mano Lima

  • 09/06 Joca Martins

  • 10/06 Fernando & Sorocaba

  • 10/06 Thaeme & Thiago

  • 10/06 Ludmilla

  • 11/06 Guri De Uruguaiana

  • 11/06 Day & Lara

  • 11/06 Galinha Pintadinha

  • 11/06 Anjos De Plantão

  • 12/06 Leandro Marx

  • 13/06 Banda Código 8

  • 13/06 Gilmar Goulart

  • 14/06 Bruno & Marrone

  • 14/06 Maiara & Maraisa

  • 14/06 Gusttavo Lima

  • 14/06 Luiza & Maurílio

  • 14/06 Dennis Dj

  • 15/06 O Rappa

  • 15/06 Santograau

  • 15/06 Gazu & Iriê

  • 15/06 Magnólia

  • 16/06 Zé Neto & Cristiano

  • 16/06 Cabaré Night Club

  • 16/06 Armandinho

  • 16/06 Malbec Trio

  • 17/06 Luan Santana

  • 17/06 Anitta

  • 17/06 Victor & Leo

  • 17/06 Breno & Caio César

  • 17/06 Moha Festival

  • 18/06 Henrique & Juliano

  • 18/06 Marília Mendonça

  • 18/06 Edson Augusto

CL na Festa do Pinhão Programação

09/06

Palco Principal

Festival Raízes

Amado Batista

Mano Lima

Joca Martins

Felipe & Falcão

Palco Nativista

Artur Mattos

Grupo Fogo De Chão

Compre Agora

10/06

Palco Principal

Fernando & Sorocaba

Thaeme & Thiago

Ludmilla

Palco Nativista

Adriano Posai E Pátria Sulina

Xirú Missioneiro

Baile Cia Da Vaneira

Compre Agora

11/06

Palco Principal

Domingo Da Família

Guri De Uruguaiana

Day & Lara

Galinha Pintadinha

Anjos De Plantão

Palco Nativista

Éder Goulart

Baile Grupo Bailanta

Compre Agora

12/06

Palco Principal

Paulinho Benthien E Amigos

Leandro Marx

Palco Nativista

Gaitaço Serrano

Baitaca

Os Monarcas

13/06

Palco Principal

Banda Código 8

Gilmar Goulart

Palco Nativista

Quarteto Coração De Potro

Tchê Sarandeio

14/06

Palco Principal

Bruno & Marrone

Maiara & Maraisa

Gusttavo Lima

Luiza & Maurílio

Dennis Dj

Palco Nativista

Daniel Silva

Grupo Candieiro

Compre Agora

15/06

Palco Principal

O Rappa

Santograau

Gazu & Iriê

Magnólia

Palco Nativista

Gian Carlo Orsoletta

João Luiz Corrêa

Compre Agora

16/06

Palco Principal

Zé Neto & Cristiano

Cabaré Night Club

Armandinho

Malbec Trio

Palco Nativista

Adriano Athayde

Grupo Moda Boa

Volmir Martins

Os 4 Gaudérios

Compre Agora

17/06

Palco Principal

Luan Santana

Anitta

Victor & Leo

Breno & Caio César

Moha Festival

Palco Nativista

Jones Andrei Vieira

Marcelo Oliveira

Quero Quero

Compre Agora

18/06

Palco Principal

Henrique & Juliano

Marília Mendonça

Edson Augusto

Palco Nativista

Reginaldo Farber

Os Ponchianos

Walther Morais

Criado Em Galpão

Compre Agora

CL na Festa do Pinhão Sapecada 2017

Sapecada da Serra Catarinense

17ª Sapecada da Serra Catarinense

1 Cotidiano (Milonga) Ver letra | Versão para impressão

L/M e Int: André Coelho

De manso acende
A luz de cada pouso
Bem antes do dia
Na sede da estância
De madrugadinha
Enquanto o galo pensa
O que cantar depois

Sempre tem aquele
Que se levantou mais cedo
Antes das quatro e meia
Pra soprar as brasas
E o fogão clareia
Consumindo as tramas
Do alambrado que se foi

Um a um se achegam
Às vezes de “a dois”
Só pra cevar seu mate
Que mate a sede da noite
Que passou bem mal
Rondando o próprio quarto
Pra peleá com o mosquital

Agarra a alça
Arame de rabicho
Cambona de lata
Meio caborteira
Não facilita que ela se desata
Desmanchando a erva
Pela cuia inteira

Grita o caseiro:
- Pega a da frente!
- Essa que tá "más" quente.
- Deixa essa “ôtra”
Que mate bueno
Pra ser bem cevado
Tem que “tá” espumado
Que nem bocal de potra

Ressona a campana
E a cozinha chama
Quem tiver com fome
Pra tomar café
Apura o passo quem tem empreitada
Que saco vazio
Nunca para de pé!

Não para de pé
Não encilha cavalo
Não espicha arame
Realçando os calos
E lá embaixo no tambo
Os “home” segue lidando
Pra encher os tarros

Apesar das risadas
Nem tudo é alegria
Pra quem vive lá fora
Nesse dia a dia
Entre macega queimada
Pela geada quebrada
Da antiga sesmaria

É “enciá” veiaco
Queira ou não queira
Saindo ao tranquito
Pra evitá peleia
E o maula empurra a cacunda
De quando em vez uma tunda
Já na segunda-feira

Engrossa a cana do braço
No cabo do machado
Com as “orêia” zunindo
De “escuitá”  os estalos
Só não garanto até quando
Os “home” segue lidando
Nesse mesmo embalo

Guitarrón, violões, percussão: Arthur Boscato
Mate: André Coelho
Estúdio: Estúdio Boscato

2 Contestando (Milonga) Ver letra | Versão para impressão

L: André Coelho, Marcus Leobet, Felipe Silveira, Arthur Boscato
M: Arthur Boscato, André Coelho, Felipe Silveira
Int: Arthur Boscato e Felipe Silveira

A estrada silenciou
A voz que nunca se ouviu
E ficando ali não desistiu
Pechou embates de fronte
Esvairando vida aos montes
No campo e solo lavrado
Pra que ali fosse plantado
Um estrangeiro horizonte

Desigual foi a sina
Que herdou da pátria mãe
Nos bastidores "champãe"
No palco espada e fuzil
E a plateia soberana
Olhando um país com gana
Extinguindo brasileiros
Do próprio chão do Brasil

O mesmo mate que pra muitos não detém poder
Pra outros tantos é só o que tem a oferecer
Dentre a escassez que lhe castiga
Na singeleza do rancho
Dificuldades e prantos no "caboclear" do seu ser
E essa dúvida que existe em cada amanhecer
Pública massa que acredita não sobreviver
Aquele povo interiorano escravizado no campo
Com João Maria por santo
A contestar seu viver

Os pioneiros do estado
Que peitaram fogo e aço
Não lhes dobraram o espinhaço
Contestando o que era seu
Esta terra em que nasceu
Onde há posse e não propriedade
Acordos com meias verdades
Jogo que ninguém venceu

Se o centenário pinheiro
Tivesse o dom da oratória
Diria que a história
Se repete e nos alcança
Não são lembranças de outrora
Fotografias de agora
Revelando duras penas
Que disfarçadas nos cercam

contestado ainda existe mas muitos não vêem
Emoldurado num cenário sem trilhos de trem
Pois o caboclo ainda vive na descendência ferida
Dos que perderam sua vida sem questionar um porém
Da mão de obra explorada refém se tornou
De erva mate e madeireiras as mãos calejou
Mas a esperança segue firme nos ideais desses tantos
De repovoarem os campos que o bisavô cultivou

Violões, vocais e gaita botoneira: Arthur Boscato

Estúdio: Estúdio Boscato

3 O Corredor e seus Assombros (Milonga) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Zetti Gaudéria
Int: Arthur Mattos

Nas noites de lua cheia ou mesmo nas noites turvas
Se ouviam gritos de dores pelos campos da coxilha
Eram lamentos tão tristes chegava arrepiar o couro
Fazia tremer de medo até o índio mais touro

Quantas vidas se perderam ao cruzar estes caminhos!
Algumas por ser valentes e outras por judiaria

As almas a bater padras nas taipas dos corredores
Outras vão batendo estribo acompanhando o andante
O pinto mascando freio e o tilintar das esporas
E um assombro me acompanha noite adentro estrada a fora

Hoje ainda se escuta de vez em quando um “Oh de Casa”
O barulho do cincerro e de um índio um assobio
O caseiro se levanta pra receber o vivente
Mas quando ele sai na porta não tem ninguém lá na frente

Gaita botoneira: Renan Netto
Guitarrón: Lucas Cassiano Soares
Violões: Renê Ildefonso, Rodrigo Sandi, Matheus Colossi

Estúdio JA

4 Tropeiro das Lajens (Toada) Ver letra | Versão para impressão

L: Iradi Rodrigues Chaves
M: Jones Andrei Vieira
Int: Daniel Silva e Jones Andrei Vieira

Madruguei a tropa arreatando a cargueirada!
Dez “mula” das buena “pros arreios” uma gateada
Nos peçuelos de garupa cuia e cambona preparada
E uma gaita de “oito soco” companheira da sesteada!

Meus cargueiros vão “de tiro” abrindo picada!
Nas bruacas tem paçoca na mula bragada,
Tropeio minha querência levando nas serenatas
Um assovio prá forma, algum cincerro e mais nada!

Serra Abaixo! Serra Acima! Reponto meus cargueiros
Levo charque e toucinho fazendo muito dinheiro
Descarrego em Laguna, de Torres vem o sal
Vai o tropeiro das lajens...

Serra Abaixo! Serra Acima! Reponta seus cargueiros
Leva charque e toucinho fazendo muito dinheiro
Assim se fez serrano conhecedor das paragens
Estradear é seu destino vai o tropeiro das Lajens!

A minha história traz cargueiros do passado!
Meu avô tropeiro o pai seguiu o seu legado
Minha herança traz no ofício o retrato emoldurado
Reponto tropas de sonhos n’algum verso estampado!

Segura as mulas já conhece o ritual!
Na “Serra do Doze” a garrucha manda o sinal
Um balaço pra avisar quem sobre não é por mal
Na trilha não passam dois se protege “os animal”!

Acordeon: Jones Andrei Vieira
Baixo: Ruan Alexandre
Violão: Aloizio Felizardo
Violão: Leandro Marx
Violino: Danielle Porto

Estúdio J.A Lages/SC

5 Batizando “Os Tarro” (Rancheira) Ver letra | Versão para impressão

M: Marcelo Donato L: Gilson Aguiar
Int: Marcelo Donato

Bater de cascos, ainda é madrugada
No cantar do galo, lá vem a gateada
Para a obrigação
Gaiota cheia, e o povo esperando
A mesa tá pronta, e o leite chegando
Pro café com pão

Em cada tarro da crioula venda
Vem a encomenda, comércio a granel
É o sustento de guacho e criança
É o leite do tambo,
E dá prá encher a pança até dos coronel

Pobre leiteiro que não faz feriado
Anda ressabiado co´a nação quebrada
Já não consegue dar batom pra ela
Nem mortadela para a gurizada

Pra ter o soldo um pouco reforçado
Se viu obrigado até a engambelar
Com meio litro d´agua do lajeado
Leite batizado, pra poder lucrar!

De vez em quando, um vivente encontrava
Sapito de cola que ainda boiava
Na jarra de alguém
Ou um lambari, que vinha no reforço
Dava bate boca, retoço, alvoroço
E peleia também

Mesmo surrado pela lida bruta
Sem frouxar o garrão, o ofício que quis
Ao lado dela, piazedo na escola
Batizando os tarro,
Sem pedir esmola, vive mui feliz

Violão e Vocal – Dalton João Cardoso
Acordeon – Herus Cardoso
Violão e Vocal – Eduardo Correa
Contrabaixo – Hélio Antonio Dias de Oliveira
Bateria – Ramos Costa Elisandro
Violão – Leonel Penaloza
Gaita Ponto – Paulo Osório da Silveira

Estúdio Reccanto Farroupilha

6 Memoriais da Nossa Origem (Toada) Ver letra | Versão para impressão

L: Daniel Silva e Iradi Chaves Rodrigues
M: Daniel Silva
Int: Daniel Silva e Zetti Gaudéria

Querência entre dois rios, do Pelotas e o Caveiras
Cortando a Estrada da mata de Don Cristóvão Pereira
No velho Passo do Inferno, Teixeira e Garibaldi
Faziam sua trincheiras conquistando suas vitórias
Marcando com ferro quente trechos de nossa história

Anita e Canabarro tinham almas de guerreiros
Mostrando ser patriotas neste velho chão campeiro
A fibra dos Bois de Botas, legado de Correia Pinto
As taipas e Jesuítas, dos Birivas seu instinto

Na mais rica das coxilhas cantam siriemas e gralhas
A história da minha gente em minha voz não se cala
Seguimos de pé no estribo honrado a nossa terra
Resgatando as origens do homem simples da serra
Por isso levo meu canto defendendo o meu povo
Pra quem um dia outro lageano, nos possa cantar denovo

A terra aonde piso, o passado onipotente
Petrificado em corredores na alma da nossa gente
Antonio Correia Pinto deu início a construção
Junto a margem do Caveiras dando nome ao rincão
Nossa Senhora dos Prazeres, Hoje Lages o meu chão

Nossas estâncias antigas, mantém a velha consciência
Memoriais da nossa origem emoldurou nossa essência
Campos de cima da Serra, de peleias e de guerras
Tropeiros eternizados, forjados em nossa terra

Leanndro Marx - Violão e voz
Lucas Soares- Violão e voz
Aloísio Baby Felizardo - Viola e voz
Gabriel Maculan - Acordeon
Lucas Santos- Percussão

Ruan Alexandre - Baixo
Estúdio: DS Estúdio

7 Flor do Bem Querer (Valsa) Ver letra | Versão para impressão

L e M: Daniel Silva
Int: Ricardo Oliveira

Da agulha bordadeira nasceu tu
Solita em seu modo de viver
Parceira de tempos de solidão
Se alimenta apenas de um bem querer

Da tua existência um amor floriu
A saudade cultivou nossa paixão
Pois trouxe tu de volta linda flor
Coloreando o sentimento deste peão

Sempre me espera junto a cancela
Carrega em seu ventre um novo viver
Para contar luas junto a mim parceira
Minha companheira flor do bem querer

Já não se esconde floresce em primaveras
O que não tinha cheiro, perfuma jasmim
Junto a flor bordada vive em sintonia
Trazendo alegria e um jardim pra mim

Se juntas formam um lindo jardim
De duas flores para meu viver
Me basta o perfume destas duas
Para o amor em meu peito florescer

Violão Base: Adilson Oliveira
Violão solo: Anderson Oliveira e Fabrício Padilha
Baixo - Everton Lourenço
Acordeon - Gabriel Maculan
Violino - Simone Chiomento

Estúdio: DS Estúdio

8 Da Vida Simples de Campo (Milonga Canção) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Conrado Bach Neto Jr
Int: Ricardo Bergha

Quando os campos reverdecem e mil flores aromadas
Vão ressurgindo formosas no caminho das aguadas
A pampa se enche de vida, refletindo a existência
É a beleza nativa a engrandecer a querência

Neste rincão de universo, de mil encantos sem fim
Revivem terrunhos sonhos ao mais interior de mim
A alma busca guarida nas coisas simples da vida
Por ter nascido campeiro, tal como as flores nativas

Não necessito mais nada, além de minhas riquezas
O rancho para uma dona, com sua rude nobreza
A vida simples, apenas, minha alma satisfaz
E, aos conflitos da cidade, prefiro o campo e a paz

E quando o brilho da noite vem surgindo na canhada
Contemplo a moça morena que me aquenta as madrugadas
E o fruto meigo e querido, presente vindo dos céus
Alegra o rancho pequeno junto à luz dos olhos teus

Não necessito mais nada, além daquilo que é meu
Riquezas que não tem preço, regalos que Deus me deu
A minha sorte me basta, pois minha grande ambição
É viver dignamente, aquerenciado ao meu chão.

Acordeon e violões: Conrado Jr
Estúdio: Repecho

9 Baito (Rancheira) Ver letra | Versão para impressão

L: Felipe Silveira / M: Arthur Boscato
Int: Felipe Silveira

Era um cachorro amarelo das pata e “colêra” preta,
Ligeiro feito um cometa que despenca céu abaixo
e apesar de ser um guaxo era altivo e desmaneado,
atento a qualquer chamado esse meu cusquito macho.

Pequeno e de orelha curta andava sempre no enleio,
Levava sal no rodeio atendia só num grito,
Sacou da toca mulito, de ovelha fazia parto,
Semeava azevém no pasto, tinha alcunha por Baito.

Sempre que alguém perguntava - Onde é que tá o Baito? -,
eu até ficava aflito mas falava a verdade:
– Ele foi lá pra cidade lecionar o Espanhol,
Que aprendeu de sol a sol lidando c’oas “corriedalle” -.

Fico as “vês” até sem graça de contar as patacoadas
do Baito nas caçadas, mas lhes conto sem mentira:
- já pescou uma traíra no açude, com anzol e
já pegou um rouxinol num galho de guajuvira -.

Cachorro de sabimento, era mais que capataz,
uma vez de um sassafrás fez palanque pra o alambre,
ele até espichou o arame fez buraco e socou
e de noite ainda apartou a terneirada pro desmame.

Violões: Arthur Boscato
Estúdio: Estúdio Boscato

10 Na Doma (Polca) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Índio Ribeiro
Int: Ricardo Oliveira

Uma linda pediu pra mim
Pra andar no meu picaço
Coiceiro louco e sestroso
Nunca deixa boleá um laço

Então eu disse pra ela
Esse meu potro é veiaco
Não aceno não responde
Sem estar firme nos bastos

Ela agarrou do bucal
E picaço muchos as "oreia"
Não bastava o desaforo
Ela disse moço apeia

Do lugar de onde venho
Já vi muita coisa feia
Mas guaxo que nem o teu
Pego a unha e mordo a oreia

Não "judi" do meu pingaço
Nunca levou tanta espora
Estava levando com jeito
Na racional até agora

Teu reio tá muito brabo
Deixa calombos no couro
Essa aprendeu comigo pra
Disfarçar o desaforo.

Contrabaixo e violão base: João Gabriel Rosa
Violão solo e vocais: Índio Ribeiro
Estúdio: Primitivo

11 Madrinheiro de Tropa (Chamarra) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Renato Gomes
Int: Renato Gomes "Renatão"

Quando guri fui madrinheiro de tropa
E nesse ofício percorri muitos caminhos
Bombacha larga chapéu erguido na copa
Cortando estradas no rumo do espinilho

Lá na culatra “Tio Marculo” assoviando
Com toda a calam conduzindo a cargueirada
Mula tordilha encilhada no capricho
No rio bonito paramos pra sestiada

No rio das pedras saimos de madrugada
Quando o sereno ainda molhava o capim
Cantar dos galos “arreatemo” a cargueirada
E função de madrinheiro era pra mim!

E o “Marcino” se encarrega da cozinha
Flauteando a vida e de tudo achando graça
Fritando bolo numa panela de banha
“móia a palavra” num borrachão de cachaça

Tem  na bruaca a paçoca preparada
De charque gordo socadita no pilão
E um café preto feito na chicolateira
O pó levanta quando se apaga o tição

Nos dias de chuva uma capa “três coqueiro”
E um “ramenzoni” aba larga de patrão
São apetrechos de recurso do tropeiro
Nas tempestades de dias de viração

Passou o tempo mais eu nunca esqueci
Da minha infância feita em lobo de cavalo
De madrinheiro que era função de guri
E da minha gente, que eu herdei esse legado

Acordeom e Vocal: Jones Andrei Vieira
Baixo: Celeste José de Matos
Cajon: Vinicius Narciso
Gaita Botoneira: Renato Gomes
Pandeiro: Fabrício Almeida Costa
Violões: Diego Domingues Nunes, Ananias Antunes, Adilson Palma Arruda

Estúdio J.A

12 No Meu País (Milonga) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Índio Ribeiro
Int: Daniel Pakri

Andei desacreditado
Sem eira nem beira
Desconfiado de tudo
Porém não via maneira
Por tanta sujeira
Deste mundo tão sujo

Os fuleiros me enchem
Com suas falsas promessas
E fugaz sobre tudo
mas eu peço ao bom Deus
que nunca me esqueceu
que vigia este mundo

Pego o meu coração
E vou lá pro galpão
Cuidar dos meus assuntos
Pego minha guitarra
Pelo meu povo fala
Aos  malfeitores do mundo.

Andei desacreditado
Sem eira nem beira
Desconfiado de tudo
Porém não via maneira
Por tanta sujeira
Deste mundo tão sujo

Os fuleiros me enchem
Com suas falsas promessas
E fugaz sobre tudo
mas eu peço ao bom Deus
que nunca me esqueceu
que vigia este mundo
Pego o meu coração

E vou lá pro galpão
Cuidar dos meus assuntos
Pego minha guitarra
Pelo meu povo fala
Aos malfeitores do mundo.

Violão solo e base: João Gabriel Rosa
Vocal: Ricardo de Oliveira

Estúdio: João Gabriel Rosa

13 Bolada (Rasguido Doble) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Renan Netto
Int: Arthur Mattos

Pra o laço estendido e de tiro certeiro.
Se apartou da manada um rosilho e o oveiro
-O rosilho assustado, o oveiro de lombo arqueado-
"garrou" pra o meu lado prenunciando o pealo.

Pedi a bolada, boleando a armada com altivez e destreza.
Grita o patrão pra livrar o tirão, mas o boléu é por natureza.
Mirei garroneado com a sorte ao costado, pra o batismo do tirador
Que benzido se tapou e pelas mãos se quedou na cama de um pealador.

Cogote pra baixo encrespando o pelo,
O potro oveiro deitou qual um facho,
E do cimbronaço, não mais se esquece
Vai quedar em prece até  frouxa o laço.

Um metro de polvadera na linda cena
Do oveiro estendido, maneia o malino
Faz conhece cordas. - benditas sogas-
Do campo pra doma, certo destino...

Cordeona: Renan Netto
Violões e baixo: João Gabriel Rosa
Vocal: Vitor Amorim

Estúdios: Primitivo / Repecho

14 Moça (Milonga/Malambo) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Kiko Goulart
Int: Quarteto Coração de Potro

Moça, eu já fui potro atado
no galpão do esquecimento.
Hoje ando de clina esfiapada
pra onde sopra algum vento.

Moça, eu te faço um pedido:
Pra um mate aqui eu te espero,
pra ver o sol do teu sorriso
quando a cuia te entrego.

Quero-quero cuida o campo.
Carancho cuida no ar.
Eu cuido lá da cancela
esperando a moça chegar.

Teu silêncio é campo aberto
semeando meias verdades.
Palavras são frutos verdes
amadurando das saudades.

Do meu coração vaqueano,
cansado de idas e vindas,
fiz vaso de coisas boas
pra dar-te as flores mais lindas.

Teus olhos são meus estrivos
e o teu silencio me acalma.
Com minha alma, teus olhinhos!
Com gana amo tua alma!

Na aba do meu chapéu,
muita chuva ha de correr.
Serão todas minhas penas
caindo por não te ver.

Das penas que eu guardei,
umas são pedras nas mãos...
Outras são punhais afiados...
São de cortar um coração!

Teu corpo, doce menina,
branco feito o algodão,
igual a beleza das nuvens
passeando pelo rincão.
Cada abraço: um paraíso.
Cada beijo acende uma estrela.
Morro um pouco cada vez
nas noites que não posso vê-la.

Guitarras: Kiko Goulart, Vitor Amorim, Maicon Oliveira
Guitarrón: Ricardo Bergha

Estúdio: K ESTUDIO

15 Cocho de Sal (Vaneira) Ver letra | Versão para impressão

L: Ramiro Amorim M: Alberto Ventura Neto
Int: Alberto Ventura Neto

Um pinheiro de sessenta
No olho era bem medido
Para o cocho de comprido
Coberto para as tormentas

No vai e vem do machado
A cada golpe a sentença
De morrer côa diferença
De “viver” perto do gado

Depois do tombo no chão
Abre lastro a machadinha
Onde o facão riscou linha
Aos talhos tira o lascão

Caminho aberto, sem nó
Cimo aparado, na altura,
E vai ganhando fundura
De palmo e meio no enxó

O escoro da própria tora
Que dá base e cobertura
Quando o serrote procura
A retidão que lhe implora

Com telhado de tabuinha
Tá pronto o cocho do gado
Sal grosso bem espalhado
Branqueando de manhãzinha

A sobra dá uns cocho em pé
Uns quatro, cinco, por roda
Falquejado a mesma moda
Lá dos fundão do “Painé”

E dura tempo, não míngua
Um cocho de sal serrano
Onde o fundo menos plano
O gado lixa na língua!

Toco a tropa sem receio
Com meu saleiro tapado
E é lindo de ver o gado
Lambendo sal no rodeio!

 

Gaita: José Muniz “Zezinho”
Contrabaixo: Adilson Oliveira
Pandeiro: Fabricio Almeida Costa
Violões: Ricardo Oliveira, Anderson Oliveira

Estúdio: Studio JGR

16 Relato de Don Ramos (Chamarra) Ver letra | Versão para impressão

L/M e Int: Alexandre Ramos

Encilhei o bairro oveiro
Que há tempos andava solto,
Bem mansarrao desde potro...
Pingo da minha confiança.
Precisando estender a trança
E escorar algum torno
Era só quadrar o corpo,
Deixava correr bem solto,
Se via o golpe no fundo.

A Campereada era curta,
Como dessas de ir na venda,
Dessa vez sem encomenda,
Encilhei do jeito antigo.
O coxonilho estendido,
Sobre o arreio chapeado,
O pingo de pouca cerda,
E eu lembrando o tempo moço,
De sombreiro bem tapeado

Foi quando alcei a perna
E me sentei nos arreios,
O meu baio sem floreio,
Numa escaramuça por fula...
Num tempo seco sem chuva
Se boleou de todo corpo,
Me apertou como uma uva,
Fiquei mal acomodado,
Me caiu por cima o potro.

E neste golpe da vida,
Senti que o tempo passou,
Sei que guri já não sou...
Como já fui outrora
“corpo de gato” agora
Não é qualidade minha,
Só restam boas memórias,
Quando “pisava na oreia”
Pela destreza que tinha.

 

Fiquei no fio da adaga,
Num faz que vai mas não vai,
Mas me apeguei com Deus Pai,
Naquele momento insano.
Me visitaram Caetano,
Cabeleira e Teixeirinha,
Toda manhã declamando,
Pra todos verso falando,
De dentro da enfermaria.

Quis o Patrão do céu
Que eu não deixasse  esse plano,
Por ser homem de tutano,
Também de bom coração.
Deixei falar a razão,
Para contar essa história,
Já estando quase “são”,
Voltei mais gaúcho ainda,
Bombacha, adaga e espora.

E foi assim desse jeito
Que o fato “assucedeu”,
O pinto não teve culpa, nem eu,
Por todo o acontecido.
Já estou fortalecido,
Não entrego por tão pouco,
Nem adianta se queixar,
Resolvi me levantar,
Porque o fraco nasce morto!

Baixo: João Gabriel Rosa
Gaita botoneira: Gabriel Maculan
Violões base e solo: Maicon Oliveira


Estúdio: Estúdio Pampa
Sapecada da Canção Nativa

25ª Sapecada da Canção Nativa

1 Potrilho, Potro E Pingaço (Chamarrita) Ver letra | Versão para impressão

L: Evair Suarez Gomez M: Juliano Gomes
Int: Ita Cunha

Uma clinera de algodão
Desta minha pelagem ruana
Placenta, areia e grama
Depois, corpo cambaleando...
De a pouco fui me firmando,
Cabeceando um ubre cheio,
Pra depois ser pataleio
E outras horas retoçando.

Cortei o vento com a cara
Correteando no varzedo,
Corri penca com a cadente
Pra saber o mais ligeiro...
Quando vi, não era potrilho,
Era potro de ano e meio
E percebi que andava perto
O peso bruto do arreio.

A corda juntou meus cascos
Entre a poeira da mangueira
E minha alma matreira
Se atorou num tombo só...
Aqui nestes cafundós
É bocal, garra e chilenas
Não se sabe o que é ter pena
Não se sabe o que é ter dó.

Potrilho, potro e pingaço
De primeira cambaleando...
Depois me fui correteando,
Com o vento enredei a clinera
Senti a fúria das chilenas
Que me charquearam a puaço
Nesta luta braço a braço
Ressonava a cantilena.

Se laçam, fico cinchando
Se frouxam a rédea, troteio!
Se gritam um “Êra boi”
Ando junto com o ponteiro!
Se cruzam a talha pra conta
Sou eu que conto primeiro!

E atado frente ao bolicho
Relincho e sacudo arreio!

Violão e vocal: Luiz Gustavo Padilha
Violão e vocal: Quinto Oliveira
Baixo e vocal: Juliano Gomes
Cordeona 3 hileras: Leonel Gomez
Arranjo: Juliano Gomes

Estúdio JGomes e Studio Flor y Truco

2 Meu Redomão Colorado (Milongão) Ver letra | Versão para impressão

L: Rodrigo Bauer M: Jari Terres
Int: Jari Terres

Eu larguei meu “quatro tentos”
Nas aspas de uma gaviona
Com quem não tem argumento
Somente o laço funciona!
Era uma vaca zebua,
Bisneta de um touro alçado;
Tive que abraçar nas puas
Meu redomão colorado!

Quase não chego na bruxa
Que era cruzada com o vento,
Quem é da lida gaúcha
Sabe escolher o momento!
Quando senti o mundo escasso,
Abri meu pingo na hora
E enderecei o meu laço
Pra ela não ir embora!

Meu potro vinha judiado
Da doma e do tempo feio,
Andava meio delgado,
Mal apertando os “arreio”...
Nessa corrida forçada,
Quase que se desencilha;
No que a vaca foi laçada
A cincha foi pras virilhas!

O potro escondeu a cara,
A vaca veio chegando
E eu tive a impressão bem clara
De ver o mundo acabando!
Até parece um castigo
Mas vento ninguém ataca
E eu vi meu couro a perigo
Nas aspas daquela vaca!

Saltei de cima ligeiro
Pensando na situação,
Pra não largar meu parceiro
Pulei com a rédea na mão!
Meu flete tem seus defeitos,
Mas não quero descuidá-lo...
Por certo só um mau sujeito
Não preza o próprio cavalo!

 

Cortei o laço em seguida,
A vaca se foi embora;
Pra sempre ficou perdida
Uma roseta de espora!
E, quando, a lua acendê-la
Refletindo um pirilampo,
Contará para as estrelas
Mais esta cena de campo!

Baixo: Carlos de Cesaro
Gaita: Mano Jr
Violão: Gustavo Oliveira

Estúdio: Estudio Caminante _ Pelotas RS

3 Lá D'Onde Eu Venho (Chamamé) Ver letra | Versão para impressão

L: Rogério Villagran M: André Teixeira
Int: André Teixeira

Eu venho d´aonde o vento assovia na crina dos potros
que correm libertos nas imensidões dos banhadais...
E os domadores são homens que fazem tropilhas pra os outros,
que aos gritos de forma, empeçam a lida palmeando buçais...

Eu venho d´aonde o cantar das esporas ainda ressona
no embalo do trote, que leva o campeiro pra o seu compromisso,
e o rangido do basto é um sentimento apertando a carona,
sabendo que a vida, do peão de estância, se alimenta disso.

De lá de onde eu venho, eu trago a certeza que a gente é capaz
de parar o tempo por algum instante e ver de olhos fechados...
Podendo sentir que o campo é um regalo que tão bem nos faz,
escutando ao longe, murmúrios de sangas e berro de gado.

Eu venho d´aonde o aperto da cincha garante o sustento
de quem alça a perna, firmando nos loros a obrigação
de escorar o tranco, qual um laço forte que em cada tento,
forceja parelho, unindo suas forças pra aguentá o tirão.

Eu venho d´aonde os calos das mãos e as rugas do rosto
são marca e sinal, daqueles que enfrentam mormaços e geadas...
Com pilchas e garras judiadas da lida que é feita com gosto,
quando assim lhe toca, recorrer o fundo de uma invernada.

Eu venho d´aonde o mensual é um soldado disposto ao combate,
servidor da pátria, que mete o cavalo junto do fiador...
E encerra o dia com o pingo lavado e roda de mate,
recontando os feitos de um rodeio grande n´algum parador.

De lá de onde eu venho, eu trago o aroma dos galpões de encilha...
Estalar das brasas, cambona chiando e o fogo graúdo...
Onde o mundo grande se pára pequeno num rádio de pilha,
Pra amansar a vida, quando alguém de longe nos manda um saludo.

Violões: Marcello Caminha, Pedro Terra, André Teixeira
Gaita de oito baixos: Ricardo Comassetto
Baixo: João Marcos "Negrinho" Martins
RC Home Estúdio e KBÇ@_HOMESTUDIO - Pelotas/RS

Studio Flor y Truco - Glorinha/RS

4 O Silêncio e a Campereada (Milonga) Ver letra | Versão para impressão

L: Sergio Carvalho Pereira
M: André Teixeira - Ricardo Comassetto
Int: Luiz Marenco

Recorro campo sozinho,
nem “carculo” a quanto tempo.
Quando em quando um assoviozinho
se vai perdido no vento.

Quietude nestas jornadas
e a alma não se machuca.
As vozes das invernadas,
sem silêncio, não se escuta.

O arroio canta pra pedra,
pra noite o grilo nochero,
o arado fala com a verga
e a estrela com o caborteiro.

Campo tem voz de porteira,
de retoço da manada,
tem vento que chama poeira
e o mormaço, a manga d’agua.

Chuva no poço da sanga,
rufar de pala de seda.
Canta o sabiá pra pitanga
e o angico pra labareda.

É lindo o ranger do arreio
no escurão da noite cega
e o vento sul de floreios
no encordoado das macegas.

Quieto, cruzando o potreiro,
quando a manhã se perfila,
passo escutando o barreiro
saudando um rancho de argila.

Guabiju!... Ariticum!...
Range o rodado e se foi...
A voz do homem comum
é o tempo chamando o boi.

Tropel em várzea encharcada,
mareta beijando a taipa.
Na aragem da madrugada
cruza um sussurro de gaita.

Com esse assovio antigo
e os cascos sonando o pasto,
meu mundo fala comigo
pelos fundões donde eu passo.

Não pense que eu sou sozinho...
Que são tristes os dias meus...
Ouço juras e carinhos
desses campos de meu Deus.

Recorro os campos solito,
nem “carculo” há quanto tempo.
Quando em quando um assoviozito
Se vai perdido no vento.

Quietude nestas jornadas
e a alma não se machuca.
As vozes das invernadas,
Sem silêncio, não se escuta.

Guitarrón - André Teixeira
Gaita de 8 baixos - Ricardo Comassetto
Violão - Marcello Caminha

Estúdios: RC Home Studio,KBÇ@_HOMESTUDIO, Studio Flor y truco

5 Maliciosa (Rasguido) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Rogério Villagran
Int: Daner Marinho

A lua por baixo, do manto da noite,
Clareia um açoite, que assim se abaguala,
Uma gaita chora, chamando pra farra,
E um rasguido esbarra, no meio da sala.

Candeeiro de sebo, que muy pouco alumbra,
Aonde a penumbra, requinta o recinto...
No balcão da copa, altar dessa igreja,
A vida me beija, por um vinho tinto.

Um rancho de tábua, o piso batido,
E o ar encardido de poeira e fumaça,
Mesclado a silhueta, dum florão de china,
Que intriga e fascina, por onde ela passa.

Com jeito de santa, deseja o pecado,
E atende o chamado, da gaita que chora,
Parece inocente, por dentro dum riso,
Porém, sem juízo, dos olhos, pra fora.

A flor do cabelo, colhida no mato,
Moldura o retrato, que troca de cena,
Quando a cordiona, faz mais uma volta,
E o santo da escolta, te perde, morena.

Por onde vagueia? a mim me pergunto,
Querendo andar junto, com as tuas carícias,
Pra ver se descubro, quem sabe um resquício,
Do que é feitiço, na tua malícia.

A gaita não para, o baile encordoa,
E o que não perdoa, não teme e não deve,
A noite contempla e a lua conforta,
Pois em linhas tortas é que Deus escreve.

Mas este rasguido, que agora me topa,
E o vinha da copa, molhando a garganta,
Me mostram que vida, é china encantada,
Que às vezes se agrada, ser diaba e ser santa.

Gaita: Mauro Silva
Violão Solo: Rafael Alves
Guitarron: Bruno da Rosa Teixeira

Baixo: João Marcos “Negrinho” Martins

6 Cantilena (Milonga) Ver letra | Versão para impressão

L: Rafael Ferreira M: Kiko Goulart
Int: Quarteto Coração de Potro

Dou de rédea e frouxo a boca
- A guitarra e um poema -
Dos rincões da minha saudade
No tranquear da cantilena.

Cantilena me remete
Ao Rincão dos Malacara,
Onde eu me ia pro campo
Assoviando sobre as garra.

Cantilena, quantas vezes,
Sussurrei junto à cancela,
Serenateando inibido,
De fronte ao rancho dela.

Da sanguita que eu vadeava,
Num capão de pitangueira,
Tinha o canto, cantilena,
De um sabiá laranjeira.

Cantilena... Cantilena...
A guitarra e um poema.

Do regresso, uma saudade,
Quando me vou, mas eu fico,
Cada verso, cantilena,
Me sinto o pobre mais rico.

Cantilena me remete,
Ao Rincão da Esperança,
Das melodias das tropas,
Que empurrei quando criança.

Cantilena traz de volta,
Meu dialeto, diário,
De melodiar encilhando,
De prosear com meus cavalos.

Dou de rédea e frouxo a boca
- A guitarra e um poema -
Dos rincões da minha saudade
No tranquear da cantilena.

Violões: Kiko Goulart, Vitor Amorim, Maicon Oliveira
Guitarrón: Ricardo Bergha
Bandoneon: João Paulo Deckert

Estúdio: K Estúdio

7 Entre as Pedras do meu Canto (Milonga) Ver letra | Versão para impressão

L: Mateus Neves da Fontoura M: Vitor Amorim
Int: Gustavo Teixeira

Entre as pedras do meu canto... hei de encontrar serenada
Vestida de madrugada, tenho certeza que inteira,
Uma florzita trigueira, retovada de quebranto,
Toda enredada de encanto e perfume de laranjeira

Entre as pedras do meu canto... canto bruto, sim senhor,
Tenho o espaço acolhedor pra eternizar primaveras.
Ergui no Passo das Eras o rancho mais protegido
Em cada verso, um abrigo, pra flor mais pura da terra!

E nem o vento insistente que já tocou o infinito
Há de alcançar, acredito, o teu pendão delicado
Pois bem sei que em teu costado haverá guarida e tanto
Entre as pedras do meu canto, flor do amor, é que eu te guardo.

Embora as pilchas surradas pela vivência campeira
Bem sabe a lua viajeira dos meus segredos dormidos,
Do que carrego comigo e não entrego a ninguém
Senão àquela que vem pra repartir meus sentidos...

Se trago a estampa fechada, embrutecida de campo... 
Arquitetei o meu canto, pedra por pedra, um fortim
Esperançando que ao fim germines junto às guitarras
Se me faltarem palavras.... que os versos falem por mim!

Violões e contrabaixo: João Gabriel Rosa

Estúdio: Primitivo

8 Enfrenada (Milonga) Ver letra | Versão para impressão

L: Mateus Neves da Fontoura M: Ricardo Martins
Int: Ricardo Martins

Trago de tiro esta milonga, meu patrício,
Só pelo vício de topar outra parada.
Vem no cabresto da bordona, em trote arisco,
Erguendo cisco quando se assombra da estrada.

Redomoniada, guarda o capucho da crina
Na velha sina de mostrar que é boca atada
Pra um, de cruzada, não pensar que monta em mansa
E errando a dança me extraviar a patacoada.

Sem demora nos meus bastos, milonguita,
Te acomodo bem do jeito que me agrada
Despachada e entre as rédeas recolhida
Dando vida pra esses versos, enfrenada.

Só mais um pouco e saco as garras da azulega,
Aperto as xergas no teu lombo embodocado,
De mano a mano vamos ver quem é mais quebra,
Depois que a pedra te judiar mais um bocado.

De queixo atado, largo de cabeça solta
Na estampa potra de espantar bagual ligeiro
Por guitarreiro tenho a confiança nas cordas
E sei que sobra enforquilhado um milongueiro.

Baixo: Érlon Péricles
Gaita Botoneira e percussão: Marcelo de Araújo Nunes
Violões: Ricardo Martins

Estúdio: Estúdio MH Santana do Livramento

9 Rancho De Barro (Canção) Ver letra | Versão para impressão

L: Xirú Antunes M: Kiko Goulart
Int: Quarteto Coração de Potro

Abriga muito este rancho,
Na sua proposta humilde,
De ser alma em vez de corpo,
Sem marcas e cicatrizes.

O terreiro  caprichoso,
Oferta as flores mais lindas,
De um jasmineiro florido,
Pros cabelos da chinita.

Ah! Meu rancho silencioso,
Nestas manhãs de bom dia,
Com toalhas branquicentas,
No quarador da cacimba.

Quem me dera, fosse eterno,
Ranchito de palha e barro,
Pra guardar sempre os costumes,
Da gente deste meu pago.

Cinamomo sombreado,
Onde arreios antigos,
Sesteiam nas veraneiras,
Destes verões mal dormidos.

Mais pra um lado,um galpãozito,
Do mesmo barro do rancho,
Com ganchos de pitangueira,
E um varal pra um charque gordo.

Bandoneon: João Paulo Deckert
Guitarra: Maicon Oliveira
Guitarra: Kiko Goulart
Guitarra: Vitor Amorim
Guitarrón: Ricardo Bergha
Quenna: Juan Lozano Carrera

Estúdio: K Estúdio

10 Nos Campos do Amaricá (Chamamé) Ver letra | Versão para impressão

L: Gujo Teixeira/Valério Teixeira M: Cristian Camargo
Int: Joca Martins e Rogério Melo

Já não se avista a querência nos campos do amaricá
A sombra cobriu os campos das invernadas de lá
E um negro de riso franco chapéu torto e bichará
Encilhou bem um tordilho, sabe Deus onde andará?

Já não se avista o serviço nos campos do amaricá
A cavalhada por mansa foi fácil de “embuçalá”
E o gado rodeio grande que era lindo de “avistá”
Cruzou o arame de novo, bandeou pro lado de cá

Já não se avista existência nos campos do amaricá
Onde uma herança de muitos não teve ninguém pra “herdá”
E a floresta tomou conta deixando bem como está
Sombra, mato, solidão, tapera e caraguatá

Já não se avista horizonte nos campos do amaricá
E a história de tanta gente aos poucos se acabará
Nunca mais a peonada fazendo um “charachachá”
Vai trazer gado matreiro das grotas do camboatá

Já não se avista um recuerdo nos campos do amaricá
Quem fecha os olhos pra dentro somente assim lembrará
Das madrugadas clareando no bico de um batará
Pois a saudade machuca com espinhos de sucará

Já não se avista poesia nos campos do amaricá
Pra sombra tem pouco verso e quase rima não há
Só resta uma nostalgia no canto de algum sabiá
Junto das sangas correndo pros rumos do Deus dará

Violão – Roberto Borges
Guitarrón – Cristian Camargo
Acordeon – Aluisio Rockembach
Baixo – Pedro Terra
Violão Aço – Luciano Fagundes

11 Prosa De Galpão (Milonga) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Érlon Péricles
Int: Pirisca Grecco

Tem de tudo um pouco nessa prosa de galpão...
A cordiona botonera, no costado um violão...
Um trago de canha pra espantar as mágoas e a solidão
Cenário campeiro, roda de mate, cuia de mão em mão...

Tem de tudo um pouco nessa prosa de galpão
Assovios nas frinchas, inverno que chega pra congelar a emoção...
Churrasquito gordo, que pinga graxa e levanta a fumaça junto ao tição...
E uma saudade estradeira atiçando as brasas do fogo de chão!

É o Sul cantando e a gente proseando dessa maneira,
É a vida que segue e o sentimento não tem fronteira.
Meu compadre não te assusta, essa tua tristeza já vai passar...
Vai buscando o que “te gusta” nas coisas que a estrada vem te entregar.

Prosa de galpão, charla ao fim de tarde, despretensiosa conversa...
O tempo se amansa, a vida descansa e a alma fica dispersa,
A quietude chega pra ouvir o sonho que não costuma ter pressa,
Prosa de galpão, abre o coração e só fala o que te interessa!

Baixo: Érlon Péricles
Gaita cromática: Tiago Quadro
Percussão: Pirisca Grecco
Violão: Guilherme Castilhos

Estúdio: Guaiaca RECORDS

12 Veneno (Zamba) Ver letra | Versão para impressão

L: Lisandro Amaral M: Roberto Luzardo
Int: Lisandro Amaral

Eu te levei adormecida junto ao peito,
Banhando as horas do meu mundo tão pequeno...
Cuidei teu sono, quando o sol amanhecia
E a poesia evaporava do sereno...

Eu soube apenas o teu nome e teu sorriso
Não mais preciso conhecer tuas verdades...
Roubei um beijo, ao cuidar teu sono lindo,
E o teu veneno foi maior que a claridade...

Saber do mundo é não temer a madrugada!
Serpente antiga - feiticeira dos caminhos -
Eu te levei adormecida junto ao corpo
Onde teu sono era veneno e não carinho!

Onde andarás? não mais pergunto ao meu silêncio.
Adormeceras noutro corpo envenenado.
Cuidar teu sono é como estar frente a um mistério, madrugada
Te ver sorrindo é como estar aprisionado!

Guarda o teu beijo para alguém que te mereça.
Se é que alguém, merece ter o que ofereces...
Um dia o sol vai me livrar do teu veneno
Igual sereno evaporar quando amanhece.

Violão: Gustavo Oliveira
Baixo acústico: Miguel Tejera
Piano: Fernando Leitzke

Arranjo coletivo

13 Na Encruzilhada (Xote) Ver letra | Versão para impressão

L/M: Volmir Coelho
Int: Volmir Coelho

Eu vinha bem estribado
pelegão poncho emalado
Numa noite que era um breu
um palheiro chamuscando
Contra o vento fumegando
Vejam o que me aconteceu.

Meu gateado que era um gato
Se deu volta num buraco
E o céu troca pro chão,
Minhas esporas prateada
com as estrelas se alumiava
Junto com o palheiro meu.

Meu mundo trocou de ponta,
Pergunto, afinal de conta por que tinha que ser eu?
Tinham soltado um despacho,
Tinha um galo e um chibo guacho
Meu gateado se perdeu.

Uma champanhe importada
Pipoca doce e salgada
E velas de toda cor
Um fogaréu levantando
Meu poncho véio incendiando
Gritei por nosso Senhor.

Eu vinha bem estribado
Carregando meu pecado
naquela noite gelada,
E naquela encruzilhada
Depois de trocar de ponta
Foi aí que me dei conta,
Que sem Deus eu não sou nada.

Contrabaixo e vocal: Marcelo Holmos
Gaita cromática: Marcelo Bassaldua
Violão base: Volmir Coelho

Estúdio: MH Estúdios

14 Saudade É Fundo De Campo (Toada) Ver letra | Versão para impressão

L: Gujo Teixeira M: Cristian Camargo
Int: Pirisca Grecco

Saudade é fundo de campo
Com espinho e japecanga
É água que não se bebe
Numa pocinha da sanga
É primavera com seca
Que não adoça as pitangas...

Saudade é fundo de campo
Cerca de arame caída
Volta maior do campeiro
Buscando uma rês perdida
Tapera ruindo ao tempo
Que desabou, esquecida...

Saudade é fundo de campo
Que só de longe se avista
É quadro num horizonte
Nos traços de algum artista
Se cruza e nunca se chega
Quase se perde de vista!!!

Saudade é fundo de campo
Pros lados do não sei onde !
E a vaca pasta macega
Onde o terneiro se esconde
E o grito que chama o boi
Somente o vento responde...

Saudade é fundo de campo
Onde a divisa é quem manda
E a avestruz faz o ninho
Por ser tranquila estas bandas
E a solidão toma conta
Por conhecer onde anda !

Saudade é fundo de campo
Apesar da inconstância
É lugar que se vai pouco
Pela razão da distância
Embora a gente nem lembre
Sei que faz parte da estância.

Violão – Roberto Borges
Violino – Pedro Kaltbach
Acordeon – Aluísio Rockembach
Piano – Fernando Leitzke
Baixo – Luciano Fagundes

15 Caminito De Leñero (Chimarrita) Ver letra | Versão para impressão

L: Evair Suarez Gomez M: Leonel Gomes
Int: Leonel Gomes

Caminito Del leñero
Cuantas astillas, o tronco entero
Me hás bolcado...
Cuantas veses me hás parado
Por tu propia desicion.
Pero sigo, hacha y hacha
Que hace falta, leña buena pa´l fogón

Llora, llora, ruedita de carretilla
Que el sol que brilla...
Duerme junto a mi sombrero
Caminito Del leñero
Tiene su ciência y sus trampas
Dia de sol, duros torrones
Cuando llueve,tranca y tranca

Caminito Del leñero
Hasta un nidito de tero
Tuviste cerquita un dia...
Y en cada viaje que hacia
Queria ganarme el cuero
Entretenido al pucho negro
Era un fino en cada vuelo
Dando gritos, (Terú-Terú)

Cuantas veses yá pase
Si cuento, me perdere
Ya fueron muchos carreros
Ya lo hice un dia entero
Junto al invierno machazo
Yo era hacha, astilla...astilla
Dele y dele... brazo y brazo

Caminito Del leñero
A pura rueda te hicieron
Desde del monte a la cocina
Rebentaste cuantas tiras
De ordinárias chinelas.
-Y dês de lejos parecias
Un rastrito de culebra-

Violão: Izac Menezes
Percussão e vocal: Érico Rocha
Violão: Andre Ventimiglia
Acordeon: Marcelo Nunes

Contrabaixo: Juliano Gomes

16 Pealação (Vaneira) Ver letra | Versão para impressão

L: Rafael Ferreira M: Maicon Oliveira
Int: Ita Cunha

Tirão que lindo, apura o passo, puxa a cola;
Canto de argola, mordiscando nos garrão;
Vira da cara, na descorneada se ajeita
E a baba enfeita riscando rastros no chão.

Mangueirão grande, pro pealo bem despachado;
Couro riscado, de laço no tirador;
Eco da queda, da pança da terneirada;
Coqueiro afiada junto a mão do castrador.

Cerros de lenha, com fogo avermelha o ferro,
Não tem de berro, que a estância se vê na marca,
Uns assinalam, mas a cola sempre apara,
Tapeia a cara, boi levanta, corre a tarca...

Os de bigode, se melam “nas canha doce”,
Sempre o que trouxe se gaba do preparado;
Correndo pealo, “os mais perito” dão o tombo,
Tem sobre lombo, cucharrão e reborquiado.

Topo de serra, deixa que o frio, coisa osca,
Cuide das mosca e não desconte a gauchada,
Pra mais adiante mirar a tropa gordacha,
Sobrando graxa nos pastiçal da invernada.

A pealação é o ritual pr’este meu povo,
Nem mundo novo, nem bravata faz estouro,
Reunião de amigos, pealadores, bem serranos,
Que todos anos, desmancham cismas de touros.

Violão e vocal: Marlus Pereira
Violão: João Gabriel Rosa
Contrabaixo e vocal: Daniel Silva
Percussão e vocal: Marcelo Holmos e Alex Har
Percussão: Leonardo Borges
Gaita: Gabriel Maculan

Estúdio: DS ESTÚDIO

CL na Festa do Pinhão Recanto do Pinhão Aracy Paim

03/06 Sábado

10h30min

ABERTURA

11h

Éder Goulart

14h

Bruno Bortoluzzi

15h

Os Gaudérios do Fandango

16h

Luiz Guazelli 

17h

Ruan e Cowboy

18h

Luiz Marenco

19h30min

Os Brotinhos do Rio Grande

04/06 Domingo

10 h

Talentos da Coxilha Rica

14 h

Musical Sertamix

15h

Darci Santos

16 h

Musical Raízes Sertanejas

17h

Geração Fandangueira

18h30min

Xirú Campeiro e Grupo Redomão

05/06 Segunda

16h

Israel Kennedy

17h

Banda Nova Aliança

18h30min

Embalo Cristão

06/06 Terça

16h

J C Kantor

17h

Estilo Campeiro

18h30min

Zé Moreno e os Amigos da Querência

07/06 Quarta

16h

Rogério Rodrigues

17h

Ed Moura

18h30min

Embalo Lageano

08/06 Quinta

15h

Palhaço Tremendão e Grupo Picadeiro

16h

Maestro Madruga

17h

Gláucia Corrêa

18h30min

Pegada da Vaneira

09/06 Sexta

15h

Zé da Serra

16h

Reginaldo Farber

17h

Laurindo Wolff

18h30min

Tchê Loco

10/06 Sábado

10h

Jackson e Luh Anne

11h

Gilmar Goulart 

11h30

Orquestra Sinfônica de Lages

14h

Toninho e Grupo Recordação Sertanejo

15h

Rogério Blum

16h

Dançar Passarela

17h

Nei Fernandes

18h

Edson Augusto

19h

Léo Moraes e Grupo Gaúcho

11/06 Domingo

10h

Grupo Encantos Regional

11h

Tio Rone e Locomotiva Campeira

15h

Leandro Marx

16h

Lima Neto e Banda

17h

José Florêncio

18h30min

Presilha Serrana

12/06 Segunda

15h

Otávio Amorim e os Reis da Tradição

16h

Franciele

17h

Gabriel Corrêa

18h30min

Gaitaço Campeiro

13/06 Terça

15h

Jefferson Moreira

16h

Grupo Seiferts

17h

Artur Mattos

18h30min

Swing Campeiro

14/06 Quarta

15h

Bruno Antunes

16h

Embalo Fandangueiro

17h

Leander Sá

18h

Grupo Baitaço

19h

Alma Baileira

15/06 Quinta

15h

Peninha e Grupo

16h

Adilson e Ricardo Oliveira

17h

Adriano Posai e Pátria Sulina

18h

Daniel Silva

19h

Os Fagundes

16/06 Sexta

10h

Wesley Oliveira

11h

CTG Anita Garibaldi

11h30min

Willian Oliver

15h

Matheus Pereira

16h

Anjos de Plantão

17h

Jones Andrei Vieira

18h

Fabiano Ferrera  

19h

Entrevero Serrano

17/06 Sábado

10h

Vivendo com Música

11h

Conjunto de Arte Folclórica Garrão de Potro

11h30min

Zetti Gaudéria

14h

Higor Muniz

15h

Corredor Mostra Musical

16h

Dan Carvalho

17h

Cid Moraes

18h

Paulinho Guazzelli

19h

Pedro Valdéras e Grupo Chimango

18/06 Domingo

10h

Bicho do Paraná

11h

CTG Barbicacho Colorado

11h30min

Estância de Tropilheiro

14h

Trio Planalto Serrano

15h

Cesinha

16h

João Amorim e Grupo

17h30min

Explosão Serrana

CL na Festa do Pinhão #FestadoPinhaoCL Instagram Correio Lageano

Para participar publique sua foto usando a hashtag #FestadoPinhaoCL no Instagram e apareça na nossa galeria!