Serra Catarinense. Segunda-feira, 21/05/2012
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Perfil

José Serra é filho único de Francesco Serra e Serafina Chirico Serra, já falecidos. O parto foi na casa da avó, em São Paulo, na Mooca. O bairro operário era, na época, endereço de nordestinos e imigrantes italianos e espanhóis pobres, que vinham tentar a vida no Brasil.

Serra nasceu numa quinta-feira, 19 de março de 1942, ano em que o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial.

Política e cultura foram grandes paixões da juventude. A Escola Politécnica abriu o universo da poesia para José Serra. Receita contra a timidez, que ajudava na impostação de voz.

Entrou no movimento estudantil em 1962, como um dos organizadores de uma greve nacional. E despertou a atenção da Juventude Universitária Católica – JUC, principal força no movimento estudantil. Acabou presidente da União Estadual dos Estudantes, sua primeira experiência de gestão.

Serra e sua equipe criaram a UEE Volante e o Centro Popular de Cultura, que promovia iniciativas de teatro, música e artes plásticas. As ações articuladas de cultura abriam espaço para o debate político.

As noites de cultura popular transformaram a Clínica Sedes Sapientiae, vinculada à PUC, na sede informal do movimento estudantil. E aproximaram José Serra da Madre Cristina.

Serra percorreu o Brasil defendendo sua plataforma para a UNE. Pedia licença, subia numa cadeira e colocava em prática a oratória aprendida no teatro e nos jograis. Um discurso nacionalista e a favor de reformas.

Serra se mudou para o Rio, metrópole política do país e sede da UNE. O nº 132 da Praia do Flamengo passou a ser o endereço do rapaz de 21 anos, que pela primeira vez morava longe dos pais. Como presidente da UNE, integrava a Frente de Mobilização Popular, que unia sindicalistas, parlamentares e lideranças como o ex-governador Leonel Brizola, do Rio Grande do Sul, e o governador Miguel Arraes, de Pernambuco.

Logo que tomou posse, foi chamado a depor numa Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a UNE para investigar a suposta subversão e financiamento estrangeiro da entidade – o famoso ‘ouro de Moscou’.

Pouco antes do golpe de 1964, Serra estava em Manaus, no Seminário de Defesa da Amazônia, idéia dele, já atento à questão ambiental e à soberania da região. Voltou a São Paulo, passando por Minas Gerais para discutir a situação com seu grupo político. Despediu-se da namorada e dos pais e seguiu para o Rio. Não tinha mais onde ficar em segurança. Começava a rota do exílio, com a solidariedade de amigos, religiosos e desconhecidos.

José Serra passou 14 anos de sua vida afastado do Brasil: 13 anos no exílio e mais um entre idas e vindas clandestinas.

Presidente da União Nacional dos Estudantes, ele precisou sair do país na primeira leva de perseguidos políticos, após o golpe.

Com ajuda de Juscelino Kubitschek, Serra conseguiu abrigo na embaixada da Bolívia. Ficou lá três meses esperando um salvo-conduto, sempre negado pelos militares. Para passar o tempo, muitos livros e ficar na janela, contando fusquinhas que passavam pela rua.

Quando conseguiu sair do Brasil, tinha apenas 22 anos e cursava o último ano de Engenharia Mecânica na Escola Politécnica da USP. Sem dinheiro nem passaporte, peregrinou pela Bolívia, França e Tchecoslováquia. E mudou o foco de estudos.

Em janeiro de 1965, Serra voltou clandestinamente ao Brasil, passando pelo Uruguai. Muito visado pelo governo militar, ficou escondido em casas de pessoas corajosas, como Maurício e Beatriz Segall.

Para não colocar mais gente em risco, com ajuda de amigos, seguiu para o Chile. O governo socialista de Salvador Allende era refúgio de perseguidos políticos da América Latina.

Apaixonado pela dança, conheceu a bailarina e psicóloga Monica Allende, com quem se casou. A noiva precisou vir sozinha ao Brasil para conhecer a futura família. Voltaria depois com a primeira filha, Verônica, para alegria dos avôs e tias. Depois nasceu Luciano. A escolha dos nomes – iguais em espanhol, italiano e português – revelava a insegurança da vida longe da pátria.

No Brasil, a Auditoria Militar de São Paulo havia condenado Serra a três anos de prisão. Acusação: trazer propaganda subversiva do exterior na bagagem, antes do golpe. Ironia: antes de 1964, ele jamais havia saído do país.

Em Santiago, Serra coordenava a criação de um comitê que produziu, na clandestinidade, um informativo para denunciar a O golpe de 1973 e o suicídio de Salvador Allende provocaram uma reviravolta na vida de José Serra. Algemado, foi parar numa grande prisão improvisada no Estádio Nacional de Santiago, de onde poucos saíram vivos.

O passaporte diplomático e a origem italiana confundiram os militares, que liberaram José Serra para se apresentar no dia seguinte. Não voltou mais. Conseguiu abrigo na embaixada da Itália e tirou a família de Santiago, sob a mira de armas. Meses depois, Serra deixaria o país rumo a novo exílio, nos Estados Unidos, em Pricenton.

Com um mestrado e um doutorado em economia e dois filhos pequenos, Serra voltou definitivamente em 1978. Tinha 36 anos .

Em 1982, na primeira eleição direta de governador desde 1965, a oposição ganhou no Rio de Janeiro, com Leonel Brizola; Minas Gerais, com Tancredo Neves; e São Paulo, com Franco Montoro. Montoro chegou ao Palácio dos Bandeirantes com impressionantes 5,5 milhões de votos.

Eleito deputado federal pelo então MDB com 160.868 votos, José Serra foi um dos 559 integrantes da Assembléia Nacional Constituinte.

Em 1990, José Serra foi reeleito deputado com quase 340 mil votos.

José Serra foi ministro do Planejamento (1995-1996) e ministro da Saúde (1998-2002) do governo Fernando Henrique Cardoso.

No Planejamento, foi responsável por programas fundamentais para o desenvolvimento da região Nordeste, como o Prodetur e o Proágua. E batalhou dentro do governo pela política que estimulou a expansão e modernização da indústria automobilística no Brasil.

Serra deixou o ministério para concorrer à prefeitura de São Paulo em 1996. Voltou dois anos depois como ministro da Saúde. Nessa pasta fez uma gestão marcante, pela qual foi incluído no “ministério dos sonhos” eleito pela revista World Link, do Fórum Econômico Mundial, em 2002.

Em 2004, José Serra foi eleito prefeito da cidade de São Paulo no 2º turno com 3,3 milhões de votos, derrotando Marta Suplicy do PT, que deixou a prefeitura em má situação financeira.

Em 2006, Serra renunciou ao cargo para se candidatar ao governo de São Paulo, passando o comando a vice, Gilberto Kassab (2006-2008). Kassab deu continuidade aos planos de Serra e foi eleito na gestão seguinte.

Eleito em primeiro turno em 1º de outubro de 2006, com mais de 12 milhões votos, José Serra assumiu o governo de São Paulo comprometido com a inovação.